MILITÂNCIA LÉS - UMA CIA LTDA?

No meu entender, sim.
Explico: Afinal o que são militantes? Não seriam pessoas, cérebros, formando a “cabeça” de um determinado movimento?
E se são a “cabeça”, esta não deveria estar ligada a um corpo?
E esse corpo não é justamente o grupo em seu todo?
E o todo não significa todos que, direta ou indiretamente, pertencem a esse grupo?
Mas essa idéia, repito, estritamente pessoal, que tenho a respeito do que deveria ser militância, entra diretamente em oposição ao que se pode constatar na prática.
Na prática, o que vejo são grupos fechados em si, excludentes, com pouca ou nenhuma visibilidade. Pequenos guetos dentro de um grande gueto.
Pra que servem reuniões e mais reuniões, grupos e mais grupos de discussão, fechados, se essas informações acabam restritas, deixando de fora justamente quem mais necessita delas?
Por exemplo: dentro do que consideramos “comunidade”, seja ela Lés, G, B, Ts, ou I, quantas pessoas estão cientes que está prevista para os dias 5 a 8 de junho a I Conferência GLBT(sic) em Brasília(*)?
E que, para realização dessa Conferência, foram selecionados delegados através de votos em Conferências Estaduais preparatórias?
Pergunto: a que nível isso foi divulgado?
Quantos foram os reles mortais, que por acaso poderiam se interessar pelo assunto, que tiveram acesso à essa informação?
É notável o desinteresse popular por assuntos de ordem político-sociais a respeito dos trabalhos referentes às militâncias. Vencer essa resistência e essa relutância, também não deveria ser um dos objetivos principais desses grupos ditos militantes?
A aproximação com o todo e não a exclusão, através de um processo fechado e elitizado, não deveria ser ponto fundamental para esses grupos?
A minha impressão, talvez equivocada, de que grupos militantes são clubes fechados e inacessíveis, não contribuiria para essa alienação notável e vigente dentro do grande gueto que é esse universo que abriga toda uma diversidade?
Seria a manutenção desse modelo de militância, na verdade, um artifício para a perpetuação de tetas fartas e inesgotáveis?
Assunto para reflexão-e aberto à contestação.
BF.
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(*)Pela primeira vez na história do Brasil, um Presidente da República convoca uma conferência para tratar de questões pertinentes aos cidadãos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Ao convocar a conferência, o governo brasileiro admite que esse segmento da população merece ser tratado de maneira singular e, mais ainda, que necessita de políticas públicas específicas.
A convocação, também, reforça a laicidade do Estado brasileira, uma vez que os principais opositores dos GLBT são líderes religiosos, principalmente católicos e evangélicos. Com isso, o governo afirma que a diversidade sexual deve entrar na pauta das agendas parlamentares, mas a partir de um viés não-religioso.
Saiba mais sobre a I Conferência GLBT aqui.
5 Comentários














































Ei BF, a Conferência nacional é precedida pelas Conferências estadual e municipal.
Eu acompanhei as duas aqui do Rio de Janeiro e o resultado de todas a nível nacional.
Aqui no Rio, ela foi bastante divulgada.
E com uma participação expressiva, fora a militância!
Uma das formas que se utilizou para divulgação foi a internet, por ser mais democrática e rápida. Alem da página http://www.social.rj.gov.br/glbt/ do proprio governo estadual, saiu fartamente na midia impressa também.
Então, concordo com vc quando fala de maior participação das pessoas nos movimentos.
Mas tanto vc quanto eu, sabemos da dificuldade que a maioria das pessoas tem em se comprometer com uma causa.
Dà trabalho, tem que abrir mão de parte da vida pessoal, pois militância não é apenas a parada gay, esta é tão somente uma parte ínfima, que é festiva e é bom que seja!
A outra face desta moeda poucas conhecem:
é um trabalho árduo em denunciar crimes homofóbicos, acompanhar companheiras espancadas por policiais, oferecer suporte emocional, físico e jurídico.Levantar meios para se unificar os trabalhos, as ações a nível nacional.Estes são apenas alguns dos muitos aspectos do que é uma militância.
Trabalhar pela visibilidade, creiam-me não é só sair num dia de parada.
E por isto mesmo torna-se muito dificil engrossar esta fileira de ativistas sérias!
E por favor, não diga que é por falta de divulgação pois não é.
Me parece que para se entrar numa atividade social para verdadeiramente fazer a diferença, basta ter um pouco de coragem e dar voz e ação a indignação que se tem.
Antes, me parece, BF que o que temos, isto sim, é uma síndrome de Macunaíma!
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Respondendo:
Querida amiga, Hedi,
Minha “crítica” está baseada, principalmente, em minha experiência pessoal, minha vivência e por observações feitas durante esses cinco anos que estou à frente de um blog, polêmico sim, mas de ampla e reconhecida visibilidade. E durante esse tempo, concomitantemente, à frente também de outros espaços, não menos importantes, como grupos de discussão e comunidades… Embora a maioria da dita militância das causas Lés, de um jeito ou de outro não ignorasse este espaço e nem o meu trabalho, sabe quando mereci alguma atenção por parte desses grupos? Para a divulgação de ações político-sociais, nunca. A exceção de quando há algum interesse em divulgar um ou outro evento, de cunho lucrativo, no sentido econômico mesmo, ou dar visibilidade a algum evento estritamente pessoal-criação de sites, blogs, etc..
Então fico pensando… se eu, que sou uma pessoa antenada, plugada, interessada, que corre atrás da informação, tenho dificuldades para estar atualizada de tudo que está sendo feito por essa tal militância, o que esperar dessas pessoas (a grande maioria) que fica esperando que a informação lhe caia ao colo? Onde está a interatividade, a visibilidade de fato, que no meu entender deveria ser mais ampla, democrática e popular?
Não estou subestimando, minimizando, desprezando, desacreditando, desvalorizando ou desmerecendo o trabalho e a difícil e honrosa luta destas militâncias, mas, fazendo uma crítica, construtiva creio eu, para que haja uma melhor condução e aproveitamento desse árduo e corajoso trabalho.
Resumindo: se maomé não vai a montanha, a montanha não deveria ir a maomé?
Eu faço isso todos os dias… aqui e em todas as oportunidades que me são dadas. E mais, não faço trabalho de gueto, trabalho por uma visibilidade saudável e inclusiva. Arriscaria dizer que 80% de meus leitores são heteros, que hoje conseguem ver a diversidade com um outro olhar, graças a forma com que o Uva trata o assunto, levando informação de qualidade, de uma forma digna e sem nenhum tipo de discriminação.
Abraços,
B.
P.s.: Considero a Parada um evento muitíssimo importante, mas com pouco resultado prático, político. Tanto que em treze anos de Paradas ainda temos que clamar pelo óbvio, como o simples cumprimento de uma cláusula pétrea de nossa Constituição, o Estado Laico, ao invés de comemorarmos conquistas básicas e fundamentais como a aprovação da PL 122.
Comentado em 23.05.2008
O trabalho de educação, conscientização, através da informação, não deveria começar pelo povo?
Não será por isso aquela máxima que diz que “cada povo tem o governo que merece”?
Não faltaria nesse caso um melhor trabalho de base?
Posso apontar 1001 falhas, lacunas, com as quais me deparo diariamente nesse sentido.
Já parou pra pensar que o (seu) olhar de dentro pra fora possa ser totalmente diferente do (meu) olhar de fora pra dentro - e que é o olhar da maioria?
Bem, taí o meu olhar-olhar de pessoa comum.
Abraços,
B.
Comentado em 23.05.2008
Eu acho que a tal militância continua usando uma mentalidade velha e arcaica para conduzir as discussões de propostas de políticas públicas, repetindo modelos estruturais de organização e representatividade com o velho ranço partidário-sindicalista, no pior sentido da palavra, o que faz com que incorramos nos mesmos erros de sempre, com os mesmos resultados insatisfatórios e alimentando os mesmos vícios e vaidades que o poder proporciona em quem o exerce.
Isso não promove a unidade da qual tanto precisamos e não precisa ser assim.
Fato concreto: a comunicação e a divulgação são ineficientes, o que é muito fácil de se corrigir. Se cada blog de lésbicas recebesse uma convocação para divulgar as atividades das associações e ONGs GLBTTI, o que é facílimo de se fazer já que está tudo aí… público, na internet… quanto tempo se gastaria para se fazer um mailling de blogs e mantê-los atualizados sobre os assuntos importantes?
Comentado em 23.05.2008
Concordo com BF em seu ponto de vista, e também com LD, em seu comentário, quando fala sobre a ineficiência dos meios de comunicação.. Estou acatando a idéia dela, e vou divulgar esse evento tão importante no meu blog!!!
Comentado em 24.05.2008
Pela primeira vez eu participei de um evento desses na Conferência Estadual de SC, e gostei muito. Não participei da organização, então não sei como foi feita a divulgação, mas sei que muitas das pessoas que conheço e estavam sabendo do evento não foram por escolha própria.
Mas em defesa da organização preciso dizer que ninguém da mídia daqui sequer cobriu a abertura do evento, o que como jornalista achei absurdo.
Gostei da idéia de divulgar de antemão na comunidade blogueira, e já me dispus a fazer isso no meu blog de agora em diante.
Um abraço,
Renata.
Oráculo de Lesbos
Comentado em 27.05.2008