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cata uma xícara de café expresso
amargo, puro e quente
sorve o líquido espesso
lúbrica e vagarosamente

deixa rodar na boca
esquenta língua, lábios, dentes
abre bem a goela
afasta as canelas, arreganha o ventre
abocanha tudo e absorve o gole
insaciável e descaradamente

estala os lábios
mistura aromas e humores
encharca o nariz, permuta calores
te entorpece nos sabores
vai ao limite do gozo
começa tudo de novo
até ter vontade de gritar
lá do trigésimo andar:
isso é o que eu sempre quis
tomar café chupando buceta
que beleza de dia feliz!

Café à francesa - by Nelson Gesualdi, do blog Senso Incomum