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Enquanto ela blasfemava, ameaçava e acusava, eu lhe oferecia, cabisbaixa, meu respeito… E o mais oco de minha alma: o silêncio. Desejando que ela percebesse que apesar de desprovido de expressão, meu silêncio é dotado de conteúdo. Nunca havia relacionado a homossexualidade ao pecado antes das terríveis acusações dela. E foi ouvindo minha mãe vociferar crueldades que pela primeira vez pensei a respeito.

“Isso não é coisa de Deus, é pecado!!! O coisa ruim fica rondando, só esperando pra fazer inferno na vida de gente que abandona a igreja como você. Isso é coisa dele, do capeta!”

Demônio, em sua origem, grega, significa “inteligência suprema”. A palavra “Lúcifer” vem de “Lux” + “Fere”, ou seja: “aquele que carrega a Luz”. Foi a humanidade que mudou a conotação dessas palavras, transformando-as em coisas negativas. O pecado está na cabeça do homem, é fruto de seus preconceitos, de seus mitos, de seus interesses. Deus expulsou o Diabo do céu com um terço dos anjos. Não existe maldade que supere o poder e a criatividade Divina! Tudo é coisa de Deus.

Concluí que não é pecado o amor em nenhuma de suas formas de se manifestar. Pecado é condená-lo!

Clarisse Lispector disse que precisou que uma molécula dissesse sim à outra para que surgisse a vida.

É preciso nos mobilizarmos contra a mentalidade tacanha que acomete pessoas como minha mãe, que pensa como a maioria.

É preciso dizermos sim a quem realmente somos, agarrar nossos objetivos, lutar por eles e estarmos preparados para superar as conseqüências e gozar dos resultados.

Enquanto amar em qualquer de suas formas for pecado, chame-me pecadora, pois serei sempre eclética, hermética, herética.

Mas eu não quero viver num mundo metafísico, o meu amor não é platônico, e a minha felicidade jamais será submetida aos caprichos de gente intolerante, ignorante, puramente fenomenológica. Eu sou puramente númeno, e todos os dias digo “SIM”, para começar a viver o mais cedo possível a epifania com a qual sonho.

© Texto by LUAna
Em 11/11/2006