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Quanto mais sinto, mais insensível quero ser.
Quanto mais amadureço, mais quero retroceder.
Quanto mais compreendo e aprendo sobre a “verdade da vida”, mais cativante torna-se a ignorância.
Sou incapaz de internalizar o porquê da pequenez, da futilidade, da frugalidade e da sutileza com a qual o mundo encobre seu núcleo e sua contaminada essência.
Há o preconceito social, que só não alcança o homem-vaso chinês.
Há o preconceito moral, que só respeita o homem-massa.
Há o preconceito sexual, do qual só escapam o homem-espada e a mulher-boneca.
Não satisfeito, o homem-inventivo ainda criou o preconceito racial (sic), que condena todo homem-exceção.
Diante de tantas constatações, o que resta? Apreciar o vaso, fomentar a massa e ser cortado pela espada?
Por que não optamos por cultivar a flor, questionar a massa e nos encantar com o arco-íris?
Da mesma forma que as perguntas nascem já fadadas ao vazio, assim comporta-se o homem probo em relação ao que o cerca: tudo o que transcende o seu ser, não importa ao seu ser, pois o homem-sapiens, ignorando esta sapiência que o distingue, ainda não conseguiu desenvolver sua visão lateral assim como o homo que, embora erectus, longe estava de ser reto.

M.D.M., em 29/05/2008, num momento de revolta, indignação, constatação e amor.

Um Desabafo, Copyright © M.D.M. - 2008