DIVERSIDADE SEXUAL, AFETO E DESEJO

De uma maneira geral, a expressão da sexualidade fica reduzida a um coito, a uma relação sexual, não levando em conta outros aspectos, às vezes até nem ligados aos órgãos genitais, que são tão ou mais importantes que isso.
Essa supervalorização da sexualidade apenas circunscrita aos órgãos sexuais é percebida nas várias disfunções sexuais, de desejo, prazer, disfunções eréteis e ausência de orgasmo.
Geralmente, nossas crenças diversas, tais como nosso comportamento diante da vida, preconceitos e valores morais, desejos de felicidade e prazer, muitas vezes idealizados, nos levam a procurar no parceiro a segurança confortável, sem questionamentos ou dúvidas.
Mas como não há mentira que dure para sempre, principalmente quando mentimos para nós mesmos, é só prestarmos atenção, tentarmos nos ver lá no “escurinho” da alma e perceber que nas entrelinhas surgem sensações de espanto e desconforto quando nos deparamos desejando coisas e pessoas que se encontram fora do script.
Não raro desqualificamos, abandonamos ou agredimos verbal ou fisicamente aquilo que meramente não compreendemos na medida em que somos fruto do meio, e o meio, por mais que lutemos, tem uma força enorme nas nossas vidas.
A intolerância com que o mundo lida com as diversidades sexuais é diretamente proporcional à intolerância que reservamos aos nossos próprios desejos quando esses não correspondem à imagem que fazemos da nossa vida “hollywoodiana”, certinha como um filme.
Na teoria, a liberdade é um sentimento que todos nós perseguimos, mas na prática só conseguimos quando temos coragem de viver em harmonia com o que sentimos, pois quando foge do padrão somos invadidos por um vendaval não de vento, mas de culpas, sentindo-nos imorais ou doentes.
Imoral é a sociedade que não valoriza o afeto e o desejo na construção de uma relação afetiva. Heteros, homos, bi e trans são, antes de tudo, pessoas desejosas, todas elas, de expressar o amor.
Compreender essa diversidade significa exercer a sexualidade com respeito pela própria natureza e pela dos outros.
Márcia Atik: psicóloga clínica, conferencista, com especialização em Sexualidade, Terapia de Família e Casal. É membro do Centro de Estudos e Pesquisas do Comportamento e Sexualidade (CEPCOS).
1 Comentário














































Essa coragem q precisamos pra encarar tudo e todos ao aceitarmos e revelarmos quem somos realmente, é difícil de achar quando se está perdida entre tantos conceitos pré-determinados pela sociedade q nos persegue desde quando nascemos, do q é certo e errado referente àquilo q só nós podemos definir se é “certo” ou “errado” pra nós.
Não sei se fui muito clra.
Comentado em 22.06.2008