g1-post.jpg
Recebi uma ligação na manhã de quarta-feira, dia 11 de junho. A pessoa se apresentou como Claudia Loureiro, jornalista do portal G1. Queria saber a minha opinião sobre a mudança na sigla GLBT para LGBT - A única resolução da 1ª Conferência GLBT, ocorrida há poucos dias em Brasília, de que se tem notícia até o momento. Queria saber também a minha opinião sobre a proibição de doação de sangue pelos GLBTs por parte da Anvisa.

Fui pega de surpresa, pois, apesar de ser uma pessoa antenada nas notícias, a tal resolução sobre a mudança de sigla ainda não fazia parte de minhas atualizações. Mesmo assim, tentando entender o assunto e também aproveitar a oportunidade de falar para um publico maior, tentei passar minha idéia pessoal sobre os assuntos pautados. Para tal, acabei discorrendo sobre outras idéias, até mesmo para amparar melhor as minhas opiniões.

Falei sobre a fragmentação da “comunidade” lésbica em geral e sobre a falta de integração entre militância e “comunidade”.

Falei que não concordava com o fato de se misturar na mesma panela causas feministas e causas lésbicas. Apesar de serem causas com muitas coisas em comum - pois mulheres todas somos - eu não achava salutar levantar bandeiras de causas como, por exemplo, o aborto, estigmatizando ainda mais uma classe já tão estigmatizada.

Sobre a sigla GLBT, disse que nem a própria “comunidade” se entedia com ela, pois bastava se observar alguns poucos sites/blogs e etc., para se constatar as mais diversas variações da mesma. E que se era pra fazer, de fato, uma coisa inclusiva, na sigla também deveria constar o “I” de intersexos*. E que pelo andar da carruagem da diversidade, em pouco tempo teríamos todo alfabeto como sigla. Tipo aquela vitamina, aquela que vai de A a Zinco.

Disse sim que achava uma bobagem colocar o “L” na frente do “G”. Até porque, não creio que essa seja uma maneira de dar mais visibilidade às lésbicas como estão dizendo por aí, já que visibilidade não se faz com letrinhas mas sim com atitudes, o que aliás falta, e falta muito, entre as lésbicas.

Também comentei sobre o trabalho e confusão que por certo implicaria, por conta de mudar a posição de uma letra, mudar também o nome de tantas e tantas entidades e organizações, com assento inclusive em organismos internacionais.

Lembrei também que, além de toda essa confusão, e falta de orientação e unidade, muitos GLBTTIs ainda se referiam erradamente à sua orientação sexual com termos como “homossexualismo” e “opção”.

Que esse tipo de reivindicação, de mudança da ordem das letras da sigla, revelava mais uma estratégia utilizada pelo movimento feminista, de valorização das mulheres por meio de “tecnicalidades” com pouco conteúdo, do que uma atitude efetiva para dar força, representatividade e voz ao movimento das lésbicas.

Enfim, acho que acabei por cometer o “pecado” de tentar colocar muito conteúdo em pouco espaço ou fornecer muita informação para pouco tempo. Me esqueci que “tempo” não é uma dimensão válida para a imprensa e que tudo é feito “pra ontem”.

Assim, me vi inadequadamente surpresa diante das distorções, mudanças e descontextualizações que minhas palavras sofreram ao serem atabalhoadamente re-arranjadas no texto da jornalista, o que, sem dúvida gera muitos mal-entendidos e acaba por não expressar realmente o que penso e prego.

Quem me conhece, conhece meu trabalho, sabe como zelo pela clareza e exatidão de idéias e palavras. Por tudo isso, não poderia deixar de fazer esse esclarecimento e tentar colocar as minhas idéias nos seus devidos lugares.

ENTREVISTAS NUNCA MAIS!

*Intersexual é a pessoa que nasceu fisicamente entre (inter) o sexo masculino e o feminino, tendo parcial ou completamente desenvolvidos ambos os órgãos sexuais, ou um predominando sobre o outro.