28 DE JUNHO - DIA MUNDIAL DO ORGULHO LGBTTI

Por que será que incomodamos tanto? Do que ou de que, afinal, “eles” tem tanto medo?
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Neste dia 28 de junho, Dia Mundial do Orgulho Gay, lembramos Stonewall e os 39 anos de luta pelas nossas causas. Stonewall é um marco na história do movimento gay. É o ponto de partida para a organização dos homossexuais.
Várias seriam as possibilidades, tanto de fatos quanto de pessoas, para prestarmos hoje uma homenagem. Escolhi Alan Turing pelas razões óbvias que podem ser comprovadas no texto abaixo.
Acredito que, após a leitura do texto, fique claro as razões e o porquê de minha escolha.
Histórias como a de Alan Turing, assim como as histórias de centenas de outros gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros e etc, que fizeram e fazem a diferença na humanidade como um todo, creio, justificam a motivação de ostentarmos com tanto orgulho a palavra “orgulho”. Até porque, diante dos verdadeiros valores, orientação afetiva/sexual nunca deveria ser motivo de vergonha.
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Alan Turing: O Pai dos Computadores e a Maçã Envenenada
por Thereza Pires
1954 foi um ano pouco comum. O imunologista Jonas Salk descobre a vacina contra poliomielite - mais tarde, aperfeiçoada pelo Dr. Albert Sabin. A batalha de Dien Bien Phu termina com a derrota da França e a Conferência de Genebra formaliza a divisão do Vietnam em dois. Mais uma derrota: A Frente Nacional de Libertação da Argélia se revolta contra o domínio da França. Elvis Presley começa a carreira profissional. Aqui no Brasil, Getúio Vargas comete suicídio e Juscelino Kubitschek é indicado candidato à presidência da República. Ernest Hemingway ganha o Nobel de Literatura e Linus Pauling o de Química. Angela Merkel nasce na Alemanha e Condoleeza Rice, nos Estados Unidos.
Em 7 de junho, Alan Turing - considerado o pai dos computadores, matemático, criptólogo que decifrou as mensagens da máquina Enigma que mandava as ordens de Hitler para seus comandados - morde uma maçã mergulhada em cianureto de potássio no seu quarto em Wilmslow, Cheshire. Por ironia, ao dar queixa à polícia de roubo praticado por um namorado, passou de vítima a réu. Condenado por prática de homossexualidade, teve o “benefício” de optar entre o encarceramento e se submeter a tratamento hormonal - uma espécie de castração química. Touring optou pela segunda hipótese mas não resistiu à depressão causada pelos efeitos dos estrogênios, hormônios femininos inoculados em seu organismo. Apenas em 1969, o Reino Unido descriminalizou a orientação sexual de quem “pensava diferente”. Consta que o logo criado para o lançamento da Apple (1977) - uma maçã mordida com as cores do arco íris - seria referência e homenagem da empresa ao cientista, considerado um dos maiores gênios do século XX.
Solidão profunda e auto-superação
O diplomata britânico, servindo na índia, Julius Mathison Turing e sua esposa grávida Ethel Sarah desejavam que seu filho ou filha tivesse nacionalidade inglesa e deixaram Chatrapur em direção a Paddington, onde Alan Mathison Turing nasceu, em 23 de junho de 1912. Deixaram o bebê e seu irmão mais velho com amigos ingleses até a idade escolar, pois eram “muito solicitados para viagens”. No período de seis anos, compreendido entre o aparente abandono explicado como o “desejo de não colocar em perigo a saúde das crianças, que estariam em constante contato com as moléstias existentes na colônia inglesa” e a matrícula no Colégio St. Michael, o menino aprendeu a ler sozinho em 3 semanas e mostrou grande interesse por números e quebra-cabeças. A genialidade, logo percebida por todos os professores, fez com que fosse matriculado em Sherbone (em Dorset), aos 14 ano. O primeiro dia de aula coincidiu com uma greve geral no país. Turing estava tão ansioso que correu os mais de 30 km que separavam Southampton da nova escola, em tempo recorde. A façanha foi noticiada na imprensa local. Tomou gosto pelo desafio do esporte e tornou-se maratonista. Em 1949, concluiu a prova em 2 horas, 46 minutos e 3 segundos, disputando classificação para os Jogos Olímpicos. Uma perna quebrada encerrou a carreira e os pódios.
Mas o grande interesse era mesmo direcionado à matemática e Turing não se adaptava bem aos cursos normais de Sherbone. Assim, aos 16 anos, descobriu os trabalhos de Einstein. Captou a essência, compreendeu a mensagem e apoiou as críticas de Einstein à leis de Newton. Este período foi acompanhado e, sobretudo, apoiado por Christopher Morcom, um jovem igualmente genial e primeiro namorado, que morreu em uma epidemia de brucelose. Abalaram-se as ambições e afetou-se para sempre a sensibilidade amorosa de Alan Turing. Para honrar a memória de Morcom, dedicou-se ainda mais aos estudos. Foi aceito no King’s College, Universidade de Cambridge e foi discípulo de Harold Hardy, matemático famoso.
Em 1935, aos 23 anos Turing foi nomeado professor do King’s College, já reconhecido como brilhante pensador.
Primeiros estudos sobre computação
Em 1938, depois de passar dois anos na Universidade de Princeton, orientado por Alonzo Church, obteve seu Doutorado. A tese era sobre o conceito de hipercomputação. Alan imaginou uma máquina capaz de fazer qualquer tipo de cálculo, desde que lhe fossem dadas as instruções necessárias. Não se falava em chips ou processadores, apenas fórmulas matemáticas, mas, ali estava a descrição do que conhecemos hoje como computador e que permite que eu esteja teclando e, você, me lendo. No estudo “Os números computáveis aplicados ao Entscheidungsproblem” (Problema da Solução) publicado em 1936, foi reformulada a lingüagem formal universal para o que se conhece como “Máquina de Turing”: resolve qualquer problema matemático que se possa representar por um algorítmo. Continua sendo uma importante ferramenta para estudos de Matemática Pura. O Pai do moderno computador é considerado, também, o fundador da ciência de computação e o primeiro a desenvolver o conceito de inteligência artificial.
Decifrando o Enigma
Durante a Segunda Guerra Mundial, Alan Turing foi um dos principais pesquisadores em Bletchley Park - centro secreto do serviço de inteligência britânico.
Ali, realizou trabalho fundamental de criptografia, que ajudou a mudar os rumos da Segunda Guerra Mundial: quebrou o código de comunicações entre o alto comando de Hitler.
A máquina, chamada Enigma, usava um sistema de engrenagens que misturava as letras - como cartas de um baralho - antes de serem transmitidas pelos telégrafos.
Turing imaginou o Colossus - que um biógrafo chamou de “tataravô do PC “ - e chegou a decodificar cerca de 50 mil mensagens por mês. Enquanto homossexuais usavam triângulo rosa nos campos de concentração, um matemático homossexual literalmente zombava de Hitler, ajudando a abater submarinos e aviões germânicos e inventava uma teste - Teste de Turing - para decidir se máquinas pensam ou não. Em 1942, foi aos Estados Unidos decodificar os códigos japoneses. A quebra do código do Enigma foi mantida em segredo até os anos 70. Nem amigos mais próximos e nem a família jamais tiveram idéia do que se passou.
Tempos finais
Em 1952, um garoto de programa encontrado ao acaso e acompanhado de um cúmplice assalta a casa do gênio. Durante a queixa, dada na delegacia próxima, o policial pergunta como conheceu o acusado. Acontece que, naqueles tempos, assumir a orientação sexual significava receber acusação de “manifesta indecência e perversão “, segundo as leis britânicas sobre sodomia.
A mídia internacional acompanhou cada segundo do julgamento e informou a sentença: ou dois anos de encarceramento ou um ano de tratamento de “redução da libido”, à base de hormônios femininos.
Cresceram os seios e muitos outros efeitos secundários da overdose de estrogênios, mas Turing optou pela possibilidade de, livre, continuar trabalhando.
Consagrado em 1951 como membro da Royal Society, a partir do episódio de 1952 foi eliminado dos grandes projetos científicos.
Na manhã de 8 de junho de 1954, a faxineira encontrou o corpo de Turing. Na véspera, revelou a necrópsia, ele havia se deitado e mordido uma maçã mergulhada numa jarra com cianureto de potássio. Era admirador fanático do filme de Walt Disney “Branca de neve e os 7 anões” que viu pela primeira vez em 1938, em Cambridge, e reviu dezenas de vezes. Durante o tratamento hormonal cantava compulsivamente um trecho da trilha do filme que dizia, no original, “mergulha a maçã na jarrinha e deixa a morte, que nos adormece, entrar”.
1 Comentário














































Parece aquelas estórias inventadas que só vemos em filmes.
Que grande, que grande foi esse matemático, que nem com todo o conhecimento e respeito foi poupado da ignorância que permeava os anos 50, e se analisarmos bem, não faz tanto tempo assim.
Grata e honrada por ter conhecido esse blog/site.
Comentado em 29.06.2008