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Quando ela levantou a colher de sopa até os lábios, como gostaria de ser esse pedaço inocente de aço inox. Eu trocaria alegremente o sangue do meu corpo por 250 ml de caldo de legumes. Que eu fosse cenoura picada, aletria, apenas o suficiente para que você me levasse até sua boca. Eu invejava a baguete. Eu a vi partir o pão, passar a manteiga em cada pedaço, encharcá-los um por um no seu prato de sopa, deixá-los flutuar, ficarem pesados e gordos, afundarem sobre o peso do vermelho vivo e então serem exumados pelo prazer glorioso dos seus dentes.

As batatas, o aipo, os tomates, tudo passou pelas suas mãos. Quando tomei a minha própria sopa, fiz esforço para sentir o sabor de sua pele. Ela esteve aqui. Devia ter restado alguma coisa dela. Eu ia encontrá-la no azeite e nas cebolas, ia percebê-la no alho. Eu sabia que ela tinha cuspido na frigideira para saber se o óleo estava quente. É um velho truque, todo Chef faz isso, ou fazia. Sabia, quando perguntei o que havia na sopa, ter ela omitido o ingrediente essencial. Vou prová-la mesmo que seja somente por intermédio de sua culinária.”

Inscrito No Corpo, de Jeanette Winterson, Ed. Rocco