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Queria aqui, contar a história com Clara, que literalmente me transtornou, e que foi capaz de amar meu corpo como ele nunca foi amado. Clara e sua Fome.

Primeiro dia

Só então, sentada ao lado de Clara, olhei e não acreditei: “mas ela tá a fim de mim? Não pode ser”.

Sem nenhuma pista anterior, Clara acariciou meus cabelos com uma delicadeza tão boa, minha cabeça baixa, pensei: “o que estou fazendo que não tomo nenhuma atitude?”

- Estou arrepiada - falei baixinho e séria.
- De frio? - pergunta Clara.
- Não - minha resposta seca.

Clara inclina-se com decisão, meu corpo responde sem que tenha tempo de raciocinar e procura sua boca com uma avidez impensável alguns minutos antes. Como pode o corpo responder com tanta precisão o que a cabeça fica incapaz de decidir?

Segundo dia

Seguiu-se o rumo do dia anterior. Um cafuné que precede os beijos irresistíveis e devastadores de Clara.

Pedi sobre mim, Clara veio com incerteza, mexeu-se suave e incerta e declarou:

- Preciso ir.
E foi.

Terceiro dia

Nesse dia descobri o rosto de Clara com desejo, um rosto onde os olhos escurecem, quase fecham, tornam-se ferozes, vorazes. Clara com tesão.

Quarto e quinto dias

Clara veio de novo com aquele sorriso que diz sim, só não se sabe pra que. Beija-me com a suavidade dos beijos intensos. Fui. Retornei. Me deixei. Sem querer. Sem saber. Sem querer saber.

A primeira sexta de nossas vidas

Planejei tudinho: flores, champanhe e morangos, música? Seal, muito sexy. Arrumei tudo com tanta delícia, com tanto carinho, com tanta vontade: a casa, as rosas, o champanhe, o perfume, as velas, o incenso e a pizza.

Clara chegou em uma estrela cadente vista na surpresa de uma mesa de bar.
Clara chegou na surpresa de um carinho absolutamente inesperado.
Clara chegou no preparo de uma fantasia.
Clara pegou a fantasia com as mãos e dirigiu a orquestra que preparei.
Com perfeição de artista que é.
Com a percepção aguda de que a fantasia era a desculpa que faltava.
Clara vê meu corpo como uma obra de arte, Clara vê.
Clara vê e percebe minhas curvas com delícia, Clara sente.
Clara se entrega com voracidade, Clara intensa.
Clara é.

E você ainda pergunta se me entreguei, assim, de vez?

© Texto by Joana Da Mata