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…eu sofro de *aceitação da minha vida*.
eu me aceito TANTO, eu acredito TANTO em MIM, que minha certeza me vara, me atravessa.
Daí vem um monte de pessoas perto de MIM, porque muita gente queria ter certeza de SI.
É como se perto de MIM, essa gente criasse força para sua ética interna.
Só que essa gente dura pouco dentro de SI, porque toda representação tem tempo de término.
Só que meu tempo de SER nunca termina, porque justamente SOU.
Daí essa gente vai embora e eu FICO.

… me acostumo a MIM, como um guerreiro que se joga as batalhas sabendo que elas NUNCA terminam.

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Eu me sorvo.

Eu sou muito ousada, mas nem é *necessidade de ser*, é que minha natureza é assim (hoje). Já vivi épocas de muita repressão, subordinação aos outros, medo de me expor e não ser aceita, medo até de sair de casa. Aos 9 anos, ou seja a 31 anos atrás, eu já trazia traços de repressão imensa dentro de MIM.

Daí, comecei a ler Nelson Rodrigues. Mas eu lia e ficava quieta, lia e não entendia, lia e ficava excitada com os desejos das personagens, eu lia e me afogava com (ele) e com minha vidinha. Ler Nelson Rodrigues me fez sentir *comum*, pois aos 9 anos ser *comum * é delicioso, depois a gente começa a ter um imenso tédio do comum.

Levei anos da minha vida sufocada com um bando de informação alternativa, excitada vendo mulheres mais dominantes e encantada com mulheres mais *fetichistas*. Vocês não imaginam que ser ousada para MIM foi exercício. Fora o fato de…, nunca me encaixar num *grupo*, num *padrão*.

Mas finalmente, de uns tempos para cá, libertou *a fera*, vomitei TUDO: gente morna, homem que me enche o saco, modelinho de Lésbian chic, minha escrita, minhas pernas fortes, meu sexo, minhas NECESSIDADES…

Cheguei a um ponto da MINHA vida (hoje), que procuro caminhar para satisfazer as minhas necessidades. Já não tento ser uma mulher legal para ter uma namorada, já não escrevo coisas plausíveis para ser aceita, quando vou passear coloco a roupa que QUERO.

Obviamente sou um ser social, me preservo aonde acho necessário e escracho aonde me convém.

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E o contraponto de ser mais ousada, são as críticas desconexas e sem sentido que recebo.

Estamos *ainda* numa sociedade patriarcal, machista, separatista, e não é só a sociedade não, é o *nosso próprio grupo*. Todo mundo que tem um protótipo diferente vai ser julgado.

Sinceramente ser uma pessoa perdida aos 25 anos é uma coisa, lá pelos 40 é outra. E não critico quem é reprimido e quieto. Critico SIM, quem é reprimida, pisada por conceitos, deseja OUSAR e fica quieta. Pessoas assim não fazem só *mal* ao mundo e sim a SI MESMAS.

Será que essas pessoas já pararam para pensar que podem ser amadas SIM do jeito que são e não precisam ter *cascas* sociais aceitáveis para serem felizes?

Felicidade só é metodologia em livro de auto ajuda.

Felicidade é intrínseca e é só vivendo a sua natureza que você pode tentar ter uma plenitude INTERNA. E a ousadia está neste contexto.

Dê risada na chuva SIM, fale para sua namorada que você quer gozar de quatro SIM, coloque a fantasia de uma dominadora londrina de salto agulha e algema ELA, vá em um fast food e peça água de coco, troque o dia pela noite, se liberte de amizades destrutivas, fala para seu marido que se ele continuar com essa barriga de cerveja você vai fazer greve, fala para sua namorada que, se ela continuar preferindo assistir DVD todo fim de semana ao invés de vocês saírem, você vai quebrar a TV.

Tenha a ousadia que te faz bem.

Vomite MESMO.

Se é para se afogar, que seja de prazer.

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© UVA NA VULVA 2008 - Texto Srtª D.V.