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“Ser gay não é opção”

“A única opção que temos é assumir o desejo por alguém do mesmo sexo ou ter uma vida paralela”

Frase de Bruno Chateaubriand

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O direito de ser

… e de andar, amar, conviver…

A idéia é garantir os direitos de TODO MUNDO e pronto.

Direitos iguais para pessoas diferentes.

Porque direito não tem exceção.

Se tiver, nós estamos ferrados.

(E antes que alguém venha com o papo de “direitos humanos para humanos direitos”, lembro que o direito a um julgamento justo e à pena correta também está incluído na lista. Impunidade não é direito de ninguém. Abuso de poder também não. Se existe lei para todos, é para todos e pronto. Inclusive quem tem o dever institucional de zelar por ela).

Todos temos o direito a um meio ambiente saudável, a educação e trabalho, a moradia digna e lazer. Temos o direito de praticar esporte e desfrutar de arte e cultura. Direitos que estão longe de serem garantidos para todo mundo (porque não são poucos os que falham com seus deveres. Meio ambiente saudável, por exemplo, é obrigação de todos…)

Mas tem gente que não consegue usufruir dos direitos individuais (tão exaltados nestes nossos dias!) mais básicos. Gente a quem é negado o direito de simplesmente ser o que é. Sem causar mal a ninguém, sem agredir ninguém. A quem se diz que “ser o que é” é feio, é vergonha, é proibido. É escandaloso, é imoral, é aberração.

Ser gay, lésbica, bissexual não é uma “escolha” (porque às vezes, com a melhor das intenções, alguém defende o direito a essa “opção”). É uma descoberta. Por isso a gente tem usado a expressão “orientação sexual”. E também não é só sexo – é afeto, sentimento, emoção.

Penso nas pessoas por quem já me apaixonei nessa vida. Eu não escolhi. Não olhei para um cara e pensei: “Aquele ali – vou gostar daquele!”. Não tenho nenhuma explicação racional de por que gostei do Roberto e não do Gilberto, o irmão dele. Por que do Wagner e não da Silvia, a irmã dele. Fui para casa pensando “nele” (vários “eles” ao longo da vida…), lembrando de tudo o que eu tinha dito (será que eu mandei bem ou pareci uma tonta?), do que ele tinha dito, ansiosa pelo próximo encontro, antes do qual me olhei no espelho para ver se estava com cara boa… E mesmo com toda essa bandeira, ainda leva um tempo pra cair a ficha: “Putz… Eu tô a fim dele?!!”. A gente descobre a paixão, o amor, o desejo. Não escolhe.

É cruel dizer a uma pessoa que ela não tem o direito de amar e sentir desejo por outra só porque é do mesmo sexo. Com que direito a gente faz isso?

Não é preciso “aprovar” a homossexualidade. Se a sua interpretação da ordem divina afirma que não é “certo”, não é “natural”, ok. Seria desejável entender e aceitar, mas pode ser difícil, muito difícil para alguns. De toda maneira, é imperativo respeitar. Respeitar toda pessoa, independentemente dela ser ou não como eu acho que ela deveria ser – discreta ou escandalosa, pudica ou o contrário, homo, hetero, bi, trans… Tem um monte de gente que anda por aí – homens e mulheres hetero… – com roupas que eu não gosto, fazendo trejeitos que me irritam, tanto quanto eu certamente irrito outras pessoas com meu jeito. Em outras épocas, podia valer a lei do mais forte, o faroeste, o salve-se quem puder. Neste mundo civilizado, precisamos conviver com pessoas diversas e aceitar a diversidade. Os outros também têm de “agüentar” a gente…

Editado a partir do original publicado no Blog da Soninha.

Sonia Francine Gaspar Marmo, a Soninha: heterosexual, 40, vereadora (licenciada) de São Paulo e candidata a prefeita do Município de São Paulo pelo PPS. Soninha também é colunista da Folha de S.Paulo.