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AMOR, CHAMPANHE E LIBERDADE
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Meu nome é Suzana, nome que vem da minha vó materna, sempre me orgulhei muito da história da minha família, que envolve momentos de coragem e superação, mas achei que não tinha herdado a coragem dos meus ancestrais. Vou explicar essa história melhor pra vocês.
Desde pequena eu dava pistas de que havia algo de diferente em mim. Gostava de me vestir de menino, pedia presentes de menino no natal, nas brincadeiras entre meninas e meninos eu sempre queria ficar do lado dos meninos. É como se inconscientemente eu sentisse que era um menino e não uma menina como meu corpo dizia. A sociedade não está preparada para isso e finge não ver. Minha família nunca me disse nada, meus pais sempre foram tão ocupados que tinham muito pouco tempo para perceber que uma de suas filhas era diferente. Eu era muito próxima a meu pai e andava freqüentemente com ele, às vezes os amigos dele perguntavam se eu era menina ou menino quando apresentados a mim. Eu tinha o cabelo curtinho e gostava de andar com shorts de cós baixo, o que realmente causava confusão. Na minha cabeça então, a confusão sempre foi enorme, até que cheguei à adolescência e comecei a tentar me livrar a todo custo daquele “jeitão” que parecia atrair algo de ruim para mim. Acho que começava a sentir o preconceito.
Tenho dois irmãos e uma irmã. Ao chegar a adolescência eu passei a sentir mais fortemente que havia algo de, no mínimo, desconcertante em mim, notei que atraía meninas e meninos. Tinha namoradinhos, mas várias vezes mulheres, muitas vezes mais velhas, se aproximaram de mim. Eu ainda não sabia muito bem o que queria, então resolvi conversar com minha irmã. Foi uma péssima idéia. Ela me falou que isso não era normal, que eu não podia me sentir atraída por outra mulher, que eu tentasse relacionamento com outros garotos, que eu ia ver que aquela idéia não tinha nada a ver. Foi o que eu fiz. Namorei garotos, muitos garotos, mas sempre senti que faltava algo nos relacionamentos que eu tinha. Descobri também que minha família, apesar de liberal quando o assunto era política e religião, era bastante conservadora quando o assunto era relacionamento amoroso.
Ao terminar o segundo grau fui morar em uma cidade maior, pois a cidade onde eu estava era pequena e não tinha a faculdade . Fui com minha irmã, que era mais velha. Passei no vestibular e fui fazer sociologia numa faculdade pública de São Paulo. Minha irmã fazia um outro curso na mesma universidade que eu. A gente sempre se encontrava para almoçar e andavamos bastante juntas. Tudo ia muito bem até eu chegar ao terceiro semestre. Uma menina do quinto semestre, que estava fazendo matéria comigo, se apaixonou por mim. Ela sentava atrás de mim durante as aulas e ficava acariciando meus cabelos. No começo aquilo me incomodava. Tanto que eu contei pra minha irmã o que estava acontecendo, ela disse para eu me afastar. Só que aos poucos eu percebi que o incômodo não era porque eu não gostava. Eu comecei a sentir que meu corpo todo se arrepiava quando ela me tocava. Entre as minhas pernas eu sentia um estranho calor, que eu nunca havia sentido na minha vida.
A coisa foi evoluindo entre eu e ela e apesar de eu vacilar muito, já estava maluca por ela e não conseguia nem disfarçar. Ela já estava sacando que eu tava super a fim. Ela me encontrou no corredor um dia e me deu o maior beijão na boca, eu gelei de medo e prazer. Ela sussurrou no meu ouvido que me esperava naquela noite num conhecido bar da cidade. Minha irmã já tinha sacado que tinha alguma coisa no ar. Ela nem gostava de sair a noite, mas naquele dia encasquetou que ia comigo, fiquei esperando ela desistir como sempre fazia, mas não teve jeito, ela foi comigo. Quando a gente chegou lá e ela viu a menina, teve um chilique comigo e disse que não acreditava que eu tava fazendo aquilo. Foi correndo para casa e ligou pra minha mãe, que viajou no dia seguinte pra nossa casa e disse que se eu não parasse ia me levar de volta para casa. Naquele momento eu cedi e deixei de ver a menina. Nós nem chegamos a fazer nada, ficamos só naquele beijo no corredor. Eu tinha 20 anos e congelei por dentro durante muito tempo. Fui para outro lugar fazer mestrado, conheci um colega e casamos. Tivemos um filho algum tempo depois e tudo já parecia estar mais ou menos encaminhado na minha vida. Foi quando eu comecei a sentir novamente desejo por mulheres.
Um dia, em meados de janeiro desse ano, fiquei sabendo que existiam na internet bate-papos de relacionamento. Comecei a entrar lá e acabei encontrando uma garota de São Paulo. Eu tenho 33 anos, ela tem 27. Nós nos conhecemos e, no início, eu achava que ela era muito nova pra mim. Achava que, como morávamos em cidades diferentes, eu moro no interior, não ia dar em nada. Além disso eu achava também que nunca teria coragem de enfrentar família, filho e tudo para começar outra vida. Depois de 6 meses de conversas e mais conversas pela internet, além de ligações telefônicas, nós marcamos para nos conhecer em Sampa e foi muito legal. Eu brinco que nós não nos conhecemos, nós nos encontramos. A gente conversava e se olhava nos olhos, se beijava, se amava, foi tão bom que parecia que não precisava acabar, parecia não ser errado, nem proibido, parecia apenas ser gostoso, prazeroso pra nós duas. O mundo passou a parecer ser uma coisa distante demais pra gente se preocupar com ele. Dois dias se passaram e eu, que tinha ido a São Paulo para participar de um encontro de trabalho, tive que voltar pra casa.
Voltei pra casa fingindo que não havia acontecido nada. Dormi vários dias ao lado do meu marido me sentindo mal, mas resolvi esperar para não terminar nada antes de ter certeza. Temia pelo meu filho. Mas o fogo que ardia dentro de mim era por uma mulher e ele me queimava cada vez mais por dentro, ao ponto de eu ficar sem apetite, sem energias, sem vontade de viver. Assim por mais algumas vezes eu fui escondida pra Sampa. Depois de algum tempo resolvi terminar um relacionamento de 11 anos com meu marido. Abri para minha mãe, que a princípio fez cara de susto, mas acho que no fundo ela sabia e depois de algum tempo ela me aceitou bem. Eu não podia exigir muito dela, já que eu mesma tinha levado muito tempo para me aceitar.
Tempo passado e vida vivida, descobri que ser homossexual atrai muitos preconceitos e sentimentos ruins decorrentes do preconceito, mas nada pode ser pior do que viver na mentira. Eu agora me sinto livre da mentira. Minha irmã foi embora do estado há muitos anos com o marido e faz muito tempo que não a vejo. Quando a vir decido se conto ou não. Só contei para meus amigos e colegas de trabalho mais íntimos e confesso que não to mais nem aí. Eu agora só quero mesmo é ser feliz. Me sinto menos covarde e descobri que a vida é curta demais pra gente usá-la para ter medo. Estou namorando e feliz. Se o amor será eterno? Não sei… Mas que me consuma ao máximo o amor de outra, para que nada sobre a consumir à solidão. Um beijo a todas e espero que minha história sirva de exemplo para outras que querem fazer o mesmo.
© by Suzana G.
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3 Comentários


É Suzana, eu tb saí do armário e demorei quase o mesmo tempo que vc, mais nunca é tarde para se descobrir um grande amor e ser feliz como devemos.
Vamos a luta mulheres, pois amamos nossas mulheres, assim como os homens amam as suas….
Beijos e a todas e um Feliz 2008!!!!
Comentado em 8.01.2008
Olá Suzana…
Minha história é parecida com a sua!!! Meu primeiro casamento foi com um homem! Eu o amei de verdade, o sexo era bom, a conversa também, mas foi impossivel conviver com o machismo do meu ex-marido. A separação ocorreu e quando me vi só e livre me permiti a encontrar meu verdadeiro amor…ela é maravilhosa! Foi meu maior ato de coragem na vida…me permitir! Gostei de ler sua história. Um abraço
Margô
Comentado em 20.02.2008
Bommmm BOmmmm muito bommmmm
Comentado em 5.04.2008