20.08.2008

[15:53:49]

REVIVAL: SURPREENDA

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Hoje seja uma personagem para sua mulher/amante/namorada (seja a puta, a santa, a virgem, a professora, a dominatrix, a escrava, a gueisha, a butch, a femme, a enfermeira, seja muitas!).

Hoje mude a cama de lugar, a roupa de cama, deite-se do outro lado, durma nua, durma vestida, acorde mais cedo, acorde mais tarde, acenda a luz, apague a luz, mude a cor da lâmpada, acenda uma vela.

Hoje seja mais ativa do que sempre ou tente ser mais passiva do que nunca.

Hoje deixe que ela te surpreenda molhadinha num momento inesperado, fora de hora, fora de lugar, saia sem calcinha.

Hoje leve comidinhas para a cama, bebidinhas, óleos, cremes e que tais.

Hoje não vá para a cama, ame no sofá, ame no chuveiro, ame no tapete, ame na mesa, ame na pia, no tanque, na varanda, na rua, no carro, na escada, no elevador.

Hoje tente não amar! Tente foder, trepar, meter. Ou ame, hoje, faça diferente.

Hoje compre uma calcinha nova (bem menor ou bem maior do que as de sempre) e ouse na depilação (deixe crescer, depile tudo, depile aquele lugar que você disse que nunca!).

Hoje fale sacanagens no ouvido e grite, se você é quietinha. Ou tente só gemer e sussurrar se você é das ruidosas. Hoje avise que vai gozar! Hoje peça o que nunca teve coragem de pedir!

Hoje compre um brinquedinho novo, ou o primeiro brinquedinho de vocês. Pode ser uma algema inocente ou um dildo poderoso!

Hoje tente uma posição nova, arrisque ficar de quatro, faça um 69 ou qualquer uma bem acrobática (nem que seja só para rir depois).

Hoje faça uma massagem, mas não use as mãos. Massageie usando os pés, os seios, a buceta, a bunda, qualquer parte inusitada do corpo.

Hoje deixe ela te tocar daquele jeito que você sempre diz não, se permita sentir um prazer novo. E retribua! Dê a ela um prazer novo, diferente!

Hoje descubra uma outra mulher dentro de você, um outro tesão, um outro desejo, uma outra forma de amar.

SURPREENDA! RENOVE! RECONQUISTE!

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Postado por BF.

18.08.2008

[15:27:08]

SER GAY NÃO É OPÇÃO E PONTO

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“Ser gay não é opção”

“A única opção que temos é assumir o desejo por alguém do mesmo sexo ou ter uma vida paralela”

Frase de Bruno Chateaubriand

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O direito de ser

… e de andar, amar, conviver…

A idéia é garantir os direitos de TODO MUNDO e pronto.

Direitos iguais para pessoas diferentes.

Porque direito não tem exceção.

Se tiver, nós estamos ferrados.

(E antes que alguém venha com o papo de “direitos humanos para humanos direitos”, lembro que o direito a um julgamento justo e à pena correta também está incluído na lista. Impunidade não é direito de ninguém. Abuso de poder também não. Se existe lei para todos, é para todos e pronto. Inclusive quem tem o dever institucional de zelar por ela).

Todos temos o direito a um meio ambiente saudável, a educação e trabalho, a moradia digna e lazer. Temos o direito de praticar esporte e desfrutar de arte e cultura. Direitos que estão longe de serem garantidos para todo mundo (porque não são poucos os que falham com seus deveres. Meio ambiente saudável, por exemplo, é obrigação de todos…)

Mas tem gente que não consegue usufruir dos direitos individuais (tão exaltados nestes nossos dias!) mais básicos. Gente a quem é negado o direito de simplesmente ser o que é. Sem causar mal a ninguém, sem agredir ninguém. A quem se diz que “ser o que é” é feio, é vergonha, é proibido. É escandaloso, é imoral, é aberração.

Ser gay, lésbica, bissexual não é uma “escolha” (porque às vezes, com a melhor das intenções, alguém defende o direito a essa “opção”). É uma descoberta. Por isso a gente tem usado a expressão “orientação sexual”. E também não é só sexo – é afeto, sentimento, emoção.

Penso nas pessoas por quem já me apaixonei nessa vida. Eu não escolhi. Não olhei para um cara e pensei: “Aquele ali – vou gostar daquele!”. Não tenho nenhuma explicação racional de por que gostei do Roberto e não do Gilberto, o irmão dele. Por que do Wagner e não da Silvia, a irmã dele. Fui para casa pensando “nele” (vários “eles” ao longo da vida…), lembrando de tudo o que eu tinha dito (será que eu mandei bem ou pareci uma tonta?), do que ele tinha dito, ansiosa pelo próximo encontro, antes do qual me olhei no espelho para ver se estava com cara boa… E mesmo com toda essa bandeira, ainda leva um tempo pra cair a ficha: “Putz… Eu tô a fim dele?!!”. A gente descobre a paixão, o amor, o desejo. Não escolhe.

É cruel dizer a uma pessoa que ela não tem o direito de amar e sentir desejo por outra só porque é do mesmo sexo. Com que direito a gente faz isso?

Não é preciso “aprovar” a homossexualidade. Se a sua interpretação da ordem divina afirma que não é “certo”, não é “natural”, ok. Seria desejável entender e aceitar, mas pode ser difícil, muito difícil para alguns. De toda maneira, é imperativo respeitar. Respeitar toda pessoa, independentemente dela ser ou não como eu acho que ela deveria ser – discreta ou escandalosa, pudica ou o contrário, homo, hetero, bi, trans… Tem um monte de gente que anda por aí – homens e mulheres hetero… – com roupas que eu não gosto, fazendo trejeitos que me irritam, tanto quanto eu certamente irrito outras pessoas com meu jeito. Em outras épocas, podia valer a lei do mais forte, o faroeste, o salve-se quem puder. Neste mundo civilizado, precisamos conviver com pessoas diversas e aceitar a diversidade. Os outros também têm de “agüentar” a gente…

Editado a partir do original publicado no Blog da Soninha.

Sonia Francine Gaspar Marmo, a Soninha: heterosexual, 40, vereadora (licenciada) de São Paulo e candidata a prefeita do Município de São Paulo pelo PPS. Soninha também é colunista da Folha de S.Paulo.

Postado por BF.

12.08.2008

[19:15:59]

TEMPO DE SER

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…eu sofro de *aceitação da minha vida*.
eu me aceito TANTO, eu acredito TANTO em MIM, que minha certeza me vara, me atravessa.
Daí vem um monte de pessoas perto de MIM, porque muita gente queria ter certeza de SI.
É como se perto de MIM, essa gente criasse força para sua ética interna.
Só que essa gente dura pouco dentro de SI, porque toda representação tem tempo de término.
Só que meu tempo de SER nunca termina, porque justamente SOU.
Daí essa gente vai embora e eu FICO.

… me acostumo a MIM, como um guerreiro que se joga as batalhas sabendo que elas NUNCA terminam.

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Eu me sorvo.

Eu sou muito ousada, mas nem é *necessidade de ser*, é que minha natureza é assim (hoje). Já vivi épocas de muita repressão, subordinação aos outros, medo de me expor e não ser aceita, medo até de sair de casa. Aos 9 anos, ou seja a 31 anos atrás, eu já trazia traços de repressão imensa dentro de MIM.

Daí, comecei a ler Nelson Rodrigues. Mas eu lia e ficava quieta, lia e não entendia, lia e ficava excitada com os desejos das personagens, eu lia e me afogava com (ele) e com minha vidinha. Ler Nelson Rodrigues me fez sentir *comum*, pois aos 9 anos ser *comum * é delicioso, depois a gente começa a ter um imenso tédio do comum.

Levei anos da minha vida sufocada com um bando de informação alternativa, excitada vendo mulheres mais dominantes e encantada com mulheres mais *fetichistas*. Vocês não imaginam que ser ousada para MIM foi exercício. Fora o fato de…, nunca me encaixar num *grupo*, num *padrão*.

Mas finalmente, de uns tempos para cá, libertou *a fera*, vomitei TUDO: gente morna, homem que me enche o saco, modelinho de Lésbian chic, minha escrita, minhas pernas fortes, meu sexo, minhas NECESSIDADES…

Cheguei a um ponto da MINHA vida (hoje), que procuro caminhar para satisfazer as minhas necessidades. Já não tento ser uma mulher legal para ter uma namorada, já não escrevo coisas plausíveis para ser aceita, quando vou passear coloco a roupa que QUERO.

Obviamente sou um ser social, me preservo aonde acho necessário e escracho aonde me convém.

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E o contraponto de ser mais ousada, são as críticas desconexas e sem sentido que recebo.

Estamos *ainda* numa sociedade patriarcal, machista, separatista, e não é só a sociedade não, é o *nosso próprio grupo*. Todo mundo que tem um protótipo diferente vai ser julgado.

Sinceramente ser uma pessoa perdida aos 25 anos é uma coisa, lá pelos 40 é outra. E não critico quem é reprimido e quieto. Critico SIM, quem é reprimida, pisada por conceitos, deseja OUSAR e fica quieta. Pessoas assim não fazem só *mal* ao mundo e sim a SI MESMAS.

Será que essas pessoas já pararam para pensar que podem ser amadas SIM do jeito que são e não precisam ter *cascas* sociais aceitáveis para serem felizes?

Felicidade só é metodologia em livro de auto ajuda.

Felicidade é intrínseca e é só vivendo a sua natureza que você pode tentar ter uma plenitude INTERNA. E a ousadia está neste contexto.

Dê risada na chuva SIM, fale para sua namorada que você quer gozar de quatro SIM, coloque a fantasia de uma dominadora londrina de salto agulha e algema ELA, vá em um fast food e peça água de coco, troque o dia pela noite, se liberte de amizades destrutivas, fala para seu marido que se ele continuar com essa barriga de cerveja você vai fazer greve, fala para sua namorada que, se ela continuar preferindo assistir DVD todo fim de semana ao invés de vocês saírem, você vai quebrar a TV.

Tenha a ousadia que te faz bem.

Vomite MESMO.

Se é para se afogar, que seja de prazer.

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© UVA NA VULVA 2008 - Texto Srtª D.V.

Postado por BF.

30.07.2008

[12:36:29]

CLITÓRIS OU CLÍTORIS? (PARTE I)

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Não é apenas o nome das partes da genitália feminina que é desconhecido. Falar sobre a anatomia da mulher continua um tabu

Até mesmo Charlotte, uma das personagens modernas de Sex and the city, admitiu em um dos episódios da série que não conhecia bem suas partes íntimas ou, melhor dizendo – e adotando logo um caminho libertário –, sua vagina. Essa peculiar dificuldade feminina é também retratada no texto Os monólogos da vagina, de Eve Ensler, adaptado e dirigido no Brasil por Miguel Falabella. O que a autora registrou informalmente como conversa solitária poderia muito bem ter inspirado a pesquisa Os diálogos da vagina, realizada sob o patrocínio da Organon. O laboratório, no entanto, queria mesmo era medir a resistência das mulheres a adotar o Nuvaring, um anel vaginal contraceptivo com menos efeitos colaterais que a pílula, lançado no Brasil no início do ano passado. Mas tanto a comicidade do palco quanto o método científico comprovaram a mesma tese: a liberação sexual não habilitou a mulher a explorar e conhecer as particularidades de seu próprio corpo. Nem a referir-se a elas sem pudores.

Percepção – A pesquisa, divulgada no XVII Congresso da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia – Figo 2003, realizado em Santiago, no Chile, foi feita nos Estados Unidos com 1.117 mulheres de 18 a 44 anos, de várias etnias. O estudo examinou a percepção que as mulheres têm de sua vagina e a atitude em relação a ela. Apesar de 75% delas acharem que as mulheres, hoje, são capazes de falar a palavra vagina de forma mais livre, 47% consideram que qualquer discussão sobre ela deve ser feita de forma privada. Ainda assim, 35% se sentem desconfortáveis em fazer isso. Quase a metade das entrevistadas – 46% – acha que o órgão genital feminino é a parte do corpo sobre a qual elas têm menos informação e 24% não se sentem à vontade para tocá-lo. Sem falar que 49% nunca fizeram um exame pessoal da região.

O conceito feminino da vagina também deixa muito a desejar. Apenas 36% das mulheres ouvidas no estudo a descrevem positivamente, enquanto, ao serem perguntadas sobre como @s parceir@s se refeririam à parte íntima delas, 79% mencionam palavras de valorização. Segundo 37% delas, seus/suas parceir@s a qualificariam de sexy e para 24%, de bonita (apenas 9% delas usariam os mesmos termos). “Somos induzidas a pensar que a vagina é algo sujo, feio e pouco agradável. A sociedade vende a idéia de que temos que estar sempre ‘secas e frescas’ ou ‘cheirando a rosas’. As mulheres têm que se sentir bem com o odor natural”, defende a sexóloga belga Goedele Liekens, autora do livro 69 perguntas sobre sexo e a responsável por apresentar a pesquisa no congresso.

A especialista também considera um absurdo que a ditadura da beleza tenha chegado aos genitais. “Muitas mulheres querem fazer plástica nos grandes lábios porque se comparam a modelos que aparecem nas revistas masculinas. Elas não se dão conta de que a maioria dessas imagens é alterada por computador”, afirma ela. Goedele conhece bem o poder da mídia. Antes de sexóloga, foi Miss Bélgica e por muito tempo apresentou programas de televisão em seu país e na Holanda. Mãe de duas meninas, ela afirma que a mudança de conceitos deve começar em casa. “Ainda há mulheres liberadas, cheias de piercing e tatuadas, que não conseguem desenhar uma vagina. A menina deve aprender a conhecer seu corpo”, diz ela.

Liberal – À primeira vista, pode parecer que o resultado do estudo não se aplica à realidade nacional, mas o mais provável é que no País a descontração seja apenas um rótulo, quando a questão é a sexualidade feminina. “A mulher brasileira é mais liberal na expressão, mostra o corpo, se solta socialmente, mas na intimidade continua retraída. Ainda não cresceu eroticamente. A maioria não se toca, não se masturba e fantasia pouco”, diz Gerson Lopes, presidente da Comissão Nacional de Sexologia da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Um levantamento feito pelo Projeto Sexualidade da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo com mulheres de todo o Brasil dá conta de que 43% delas relatam alguma queixa sexual, ou seja, não se sentem satisfeitas com a sua vida na cama. Para melhorar esse quadro, uma boa medida, como sugerem a sexóloga belga e as amigas liberadas de Charlotte, pode ser uma lição de anatomia na frente do espelho. E também (por que não?) uma breve consulta ao dicionário para tirar a dúvida de fonética que embaraça até mesmo os ginecologistas: clítoris ou clitóris? Quem tentar vai ver que a ordem dos acentos não altera a importância da descoberta.

Fonte: Texto de Rita Moraes, para a ISTOÉ Online © 2004 Editora Três

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Intrometida que só, Senhorita D.V. não poderia deixar de dar seu pitaco… então…

Com a palavra, Srtª D.V.:

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O clitóris dela não precisa de acento, mas precisa inchar na minha boca.

Quando ela se arreganha para MIM, seu sexo se esfregando em MIM, fazendo pulsar, molhando minha boca, eu entendo o que é o paraíso.

Quero ela desonesta, mundana, vadia, gozando, sendo a MULHER que ela deseja, na minha boca, no meu corpo, quero assistir filmes pornôs, beber licor, ler contos obscenos, ver pintos, bucetas, tudo junto DELA.

Quero ela delirando, rebolando, enlouquecida vivendo SUA natureza, na minha cama, no meu chão, no meu corpo.

Quero arrebentar minha calcinha e enfiar a boca macia dela em MIM.

Quero ela suando, gemendo, se esfregando em cima de MIM.

Meu sexo inchado dolorido.

Puxa meu clitóris, morde, manipula, bate uma punheta deliciosa no meu corpo.

Usa.
e
Abusa.

Sensual, erótico, extremo, delicioso.

Sacia mesmo, LIBERTA.

Me dá TEU clitóris, que te dou MINHA alma.

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© UVA NA VULVA 2008 - Texto Srtª D.V.

Postado por BF.

23.07.2008

[12:40:13]

CATARSE - O TÉDIO DA PREVISIBILIDADE

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Eu estou velha. Ter 40 anos, Lésbica, e falar de desejo é ser E.T. As pessoas só sabem se reportar a MIM perguntando se sou PUTA.

Eu estava até querendo ser BEM PUTA, da minha mulher, mas como as lésbicas são muito delicadinhas, elas ficam ofendidas com meu jeito de ser.

Viva a masturbação, porque trepar com intensidade é PECADO. Transformar a nossa mulher na nossa puta é pecado também. A maioria destas mulheres são REPRIMIDAS e sublimam a sexualidade mal resolvida delas com essa PORRA de cerveja e com a obesidade.

E se você acha que eu estou errada é porque deve ser reprimida também. Se um dia você acordasse e tivesse FOME de pessoas, saberia do que estou falando.

Se você pensa diferente a MIM não interessa, porque todo dia meus “amigos” baunilhas me expressam o previsível. Para mim, esse DIFERENTE não é novidade.

Novidade é uma Lésbica (?) com fome.
A ilha de Lesbos afundou e eu não fui informada.
Hoje nem vomitando passa esse enjôo do previsível.

Eu, de tudo delicioso que já experimentei na vida, o mais precioso foi fundir-me numa mulher. O corpo, o toque, a pele macia, as palavras, o encaixar. Você tem que ser MUITO mulher para comer, devorar, sugar, penetrar uma mulher. Você tem que se bastar primeiro e depois conduzir a outra.

Não existe igualdade nas relações, desistam desta mentira. A igualdade é social, mas não afetiva. Um sempre deseja ser devorado e o outro devorar.

Minha mulher tem que olhar e estremecer e tem que desejar a minha “violência” além do meu amor.

Mulher medrosa, esquecida, com família manipuladora, e que chega perto e tem MEDO, não me resolve. Vá, dar o que você é para essa gente previsível, coloca calça bege, fica na fila uma hora para comprar danone, reclama do preço do gás, mas some. Eu não PRECISO DESTE tédio.

Se você não pode ser saboreada vai ter namoro de cinema, de visitinha da família, e vai sofrer porque sua infância foi difícil, e mente para SI mesma acreditando que você está segura numa relação morna.

Eu, como todas as pessoas, tenho problemas. Eu choro, eu cago, mas eu SOU BEM mais que isso. E, para uma Lésbica de 40 anos, SER mais numa sociedade de mulheres que amam encher a cara quando estão com problemas, é ser isolada, porque estou sendo DIFERENTE num mundo previsível. Eu sou uma mulher lisérgica por natureza e o meu ópio é o passar dos dias, e poderia ser a pele macia DELA também, mas isso é impossível.

Aos 40 anos as Lésbicas não estão recomeçando e sim continuando os mesmos erros e morrendo de medo de ficarem sozinhas. Eu estou sozinha há 40 anos, se continuar vai ser triste mas não vou morrer NÃO, e também não vou ficar gorda, alcoólatra e chata. Chega de coisas previsíveis, GENTE! E a delicadeza, o sexo, o ópio mental?

Eu cheguei a um ponto, na minha vida, de ter algumas mulheres interessadas por mim e olhar TODAS com um imenso tédio, por saber que nenhuma DELAS vai dar o que necessito numa relação. Não procuro no outro que ele me mova, mas procuro que no mínimo ele se *encaixe*.

Mas ando frustrada mesmo porque não encontro nem uma mulher que *trepe* melhor que EU. Encontro mulheres cansadas, mulheres sem libido, mulheres desajeitadas que perdem o horário de acordar, de ligar, de TUDO.

Gente previsível…, vão nos lugares, bebem e ficam com dor de cabeça, é muito decadente. A boemia antigamente pelo menos produzia cultura e morria de tuberculose. Hoje em dia essas mulheres bebem, ficam com dor de cabeça e dormem o dia todo no outro dia. Coisa mais ultrapassada. A vida rolando e a pessoa ali morta e podre de álcool.

Eu sou um alienígena que nem álcool consumo. Pois é chato demais essa gente que bebe, perde a classe e adia a solução dos problemas.

Texto © Senhorita Dragão Vermelho
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A partir de hoje passamos a ter a colaboração de nossa especialista em sexo [exclusiva e contratada], a Senhorita Dragão Vermelho, com seus textos escritos especialmente para o Uva Na Vulva. Reproduções são permitidas desde que sejam atribuídos os devidos créditos ao site e à autora.

Senhorita Dragão Vermelho é paulistana, 40 anos, lésbica, transgressora e sexpert.

Postado por BF.