UNV “IN ZINE”

O que faltava era um lugar. Apenas. A vontade entre nós já era há tempos incontrolável, gigantesca, concentrada em nossos sexos molhados. Num cinema, numa esquina, uma cama - precisávamos. Nossa corrida espacial rumo ao ponto flutuante, o fim de nós duas. Enquanto o fim não chegava, o ponto pulsava, pulsava, pulsava.
Soube, então, por uma amiga que tinha ido com outra amiga em comum em um hotelzinho qualquer na Lapa, e era o mesmo problema: espaço. O lugar ela achou e nos confiou que era tranqüilo, fácil, limpo, perfeito para 12 horas de sexo urgente, sem interrupções. E como nunca tinha pensado em nada na Lapa, encontro do mundo, o fim dele.
Estava dito, marcado, encontrado. O lugar era mais do que imaginei, nenhum pé-sujo com aquelas senhoras portuguesas/espanholas e sua pinta enorme estilo Madonna na recepção resmungando cansaço e nostalgia do tempo em que tudo o que eu faço parte hoje não era tão explícito, tão natural, enfim, coisas da minha cabeça. Meu ainda-receio do que vão pensar, falar, olhar, de mim. Queria às vezes não ser tão preocupada e tão infantil com isso, enfim, esquecer e mudar: mandar meus limites e o mundo para puta que pariu.
Ao contrário, o hotel estava lotado e tivemos que ir para outro, mais em frente. Um quarto para passar a noite - e minhas mãos suavam com você do meu lado olhando intrigada para o cara normal e sem sal da recepção, nem comentou nada. Só me olhando subir as escadas, passo e passo, nuca queimando, ele nos levou até o quarto, a chave, explicações. O quarto era um quadrado e com uma entrada para o banheiro na parede direita a porta, paredes de tinta amarela, com o rodapé de madeira, ou algo parecido, umas marcas de sujeira, unhas, o que for, no meio uma cama grande com lençol branco, bem arrumada, um ar-condicionado ligado do lado da janela fechada com uma cortina vinho e uma cabeceira, uma luminária em cima e uma cadeira na ponta. Um olhar rápido e generalizado, suficiente para memorizar, você na cama, sentada, me olhando, me chamando, a urgência batia sem surpresas outra vez.
Sorrindo e tudo muito novo, muito estranho, aquele lugar, nós duas, sentei ao seu lado e nossas mãos se tocaram sem querer, ou não, tão quentes. Meu corpo estremeceu inteiro quente e vibrando ao seu lado, seu corpo também me pedindo - nervosas, uma bolha de desejo, transpiração, vontade, muita, não esperei e nem podia, igualmente juntas saímos sem medo num beijo seguido de mãos furtivas, saliva, respiração ofegante perto do ouvido, no pescoço-tira tudo. Completamente nuas e ansiosas, me puxou para o meio da cama, bagunçando meu cabelo, o lençol, meu coração. Os sexos pulsando, não podíamos adiar a vontade por mais um segundo sequer, tanto tempo, tanta espera. Mais calor e um gemido mais alto, minhas mãos descendo, suas costas curvando, pêlos, pele, gosto. Seu gosto é doce, seu perfume, seus carinhos, te virei e por cima, prendendo suas mãos em minhas mãos, te beijei, te querendo, eu te amando. Sussurros que me puxam até sua boca, me coma, você diz. Avalanche de calor, vontade, pulsação interna e externa, invencível. Desci, com cuidado, atenta, minha língua em seus seios. Descendo. A mão no seu seio, inteiro, duro, seu ventre e te olho, tão linda em mim, não paro. Não posso. Abre as pernas. Mão na coxa, mão na bunda, língua no sexo, do começo ao fim, vice-versa. E está quase lá, o fim. Dança em mim. Seu gosto, seu líquido, minha saliva e músculo voluntário, quente, perto, forte, inundando sua vontade. Meu gemido, meu dedo entrando em você, eu gemendo, em brasa. Movimento, luz, cor, mais rápido, mais e mais. Quase lá. Atrito nos corpos de nós duas, nossas peles, nosso suor, nosso calor, velocidade em crise, mais, não para, não me deixa, de-li-ca-da-men-te me entrego, dentro de ti. Clímax, quase… lá, você-eu, eu-você: inércia. Nós duas em grito, brasa, coração, ponto flutuante, cansadas e completas deitadas no fim. O começo do fim, o sem fim, só começo. Mais uma vez.
© Texto by Bárbara, do blog Alastras Zines















































