16.07.2007

[12:56:27]

UNV “IN ZINE”

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O que faltava era um lugar. Apenas. A vontade entre nós já era há tempos incontrolável, gigantesca, concentrada em nossos sexos molhados. Num cinema, numa esquina, uma cama - precisávamos. Nossa corrida espacial rumo ao ponto flutuante, o fim de nós duas. Enquanto o fim não chegava, o ponto pulsava, pulsava, pulsava.

Soube, então, por uma amiga que tinha ido com outra amiga em comum em um hotelzinho qualquer na Lapa, e era o mesmo problema: espaço. O lugar ela achou e nos confiou que era tranqüilo, fácil, limpo, perfeito para 12 horas de sexo urgente, sem interrupções. E como nunca tinha pensado em nada na Lapa, encontro do mundo, o fim dele.

Estava dito, marcado, encontrado. O lugar era mais do que imaginei, nenhum pé-sujo com aquelas senhoras portuguesas/espanholas e sua pinta enorme estilo Madonna na recepção resmungando cansaço e nostalgia do tempo em que tudo o que eu faço parte hoje não era tão explícito, tão natural, enfim, coisas da minha cabeça. Meu ainda-receio do que vão pensar, falar, olhar, de mim. Queria às vezes não ser tão preocupada e tão infantil com isso, enfim, esquecer e mudar: mandar meus limites e o mundo para puta que pariu.

Ao contrário, o hotel estava lotado e tivemos que ir para outro, mais em frente. Um quarto para passar a noite - e minhas mãos suavam com você do meu lado olhando intrigada para o cara normal e sem sal da recepção, nem comentou nada. Só me olhando subir as escadas, passo e passo, nuca queimando, ele nos levou até o quarto, a chave, explicações. O quarto era um quadrado e com uma entrada para o banheiro na parede direita a porta, paredes de tinta amarela, com o rodapé de madeira, ou algo parecido, umas marcas de sujeira, unhas, o que for, no meio uma cama grande com lençol branco, bem arrumada, um ar-condicionado ligado do lado da janela fechada com uma cortina vinho e uma cabeceira, uma luminária em cima e uma cadeira na ponta. Um olhar rápido e generalizado, suficiente para memorizar, você na cama, sentada, me olhando, me chamando, a urgência batia sem surpresas outra vez.

Sorrindo e tudo muito novo, muito estranho, aquele lugar, nós duas, sentei ao seu lado e nossas mãos se tocaram sem querer, ou não, tão quentes. Meu corpo estremeceu inteiro quente e vibrando ao seu lado, seu corpo também me pedindo - nervosas, uma bolha de desejo, transpiração, vontade, muita, não esperei e nem podia, igualmente juntas saímos sem medo num beijo seguido de mãos furtivas, saliva, respiração ofegante perto do ouvido, no pescoço-tira tudo. Completamente nuas e ansiosas, me puxou para o meio da cama, bagunçando meu cabelo, o lençol, meu coração. Os sexos pulsando, não podíamos adiar a vontade por mais um segundo sequer, tanto tempo, tanta espera. Mais calor e um gemido mais alto, minhas mãos descendo, suas costas curvando, pêlos, pele, gosto. Seu gosto é doce, seu perfume, seus carinhos, te virei e por cima, prendendo suas mãos em minhas mãos, te beijei, te querendo, eu te amando. Sussurros que me puxam até sua boca, me coma, você diz. Avalanche de calor, vontade, pulsação interna e externa, invencível. Desci, com cuidado, atenta, minha língua em seus seios. Descendo. A mão no seu seio, inteiro, duro, seu ventre e te olho, tão linda em mim, não paro. Não posso. Abre as pernas. Mão na coxa, mão na bunda, língua no sexo, do começo ao fim, vice-versa. E está quase lá, o fim. Dança em mim. Seu gosto, seu líquido, minha saliva e músculo voluntário, quente, perto, forte, inundando sua vontade. Meu gemido, meu dedo entrando em você, eu gemendo, em brasa. Movimento, luz, cor, mais rápido, mais e mais. Quase lá. Atrito nos corpos de nós duas, nossas peles, nosso suor, nosso calor, velocidade em crise, mais, não para, não me deixa, de-li-ca-da-men-te me entrego, dentro de ti. Clímax, quase… lá, você-eu, eu-você: inércia. Nós duas em grito, brasa, coração, ponto flutuante, cansadas e completas deitadas no fim. O começo do fim, o sem fim, só começo. Mais uma vez.

© Texto by Bárbara, do blog Alastras Zines

Postado por BF.

18.05.2007

[16:09:13]

“SUCO DE GROSELHA”

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Você já provou suco de groselha? Reparou no comportamento dela quando se mistura à água? Groselha hoje em dia está até fora de moda, não vejo mais ninguém dizendo que ama suco de groselha. Mas eu, definitivamente, não sou uma dessas pessoas. Na escola, quando pequena, durante o intervalo, o suco de groselha que minha avó fazia na hora do almoço tinha participação constante. Era suco de groselha na hora do almoço, acompanhando as batatas e o frango, e suco de groselha e sanduíche com patê de ricota à tarde no intervalo.

Conhecemo-nos num jantar que uma amiga em comum oferecera em sua casa. Seu nome era Melissa, ela era meu suco de groselha. Linda de lábios vermelhos, doces como meu suco de groselha. A meu pedido, nossa amiga fez suco de groselha para acompanhar meu prato. Os outros convidados tomavam vinho tinto suave, inclusive Melissa com aqueles lindos olhos verdes, mas eu tomava meu suco de groselha. Inesquecível, doce, quase enjoativo, mas que me descia pelo corpo como uma suave lembrança da minha infância, dos meus momentos de brincadeira no intervalo, de minha avó preparando-o na pia da cozinha, iluminada pela luz da janela. Eu sentada à mesa a observava no contra-luz, uma verdadeira cena cinematográfica. Mas eu não pensava assim àquela época, era apenas minha querida avó preparando minha lancheira.

Desde que pus meus olhos sobre Melissa nunca mais tirei-os dela. Só Melissa vejo em minha frente. Melissa, cabelo cor de rosa, destaca-se na multidão. Longas pernas de modelo, cheias de hematomas, Melissa desastrada e distraída.

Reserve um copo transparente de vidro. Encha-o com água, à vontade. Escolha a marca de groselha de sua preferência. Tome cuidado para não fazer um furo demasiado grande na boca da garrafa, caso contrário o líquido cairá aos montes e perderá todo seu encanto. Com tudo preparado, incline a garrafa sobre o copo. Deixe cair, levemente, algumas gotas do líquido vermelho sobre a água. Deixe formar um fino fio de líquido vermelho, uma linha vermelha caindo sobre o copo. Graciosamente vai se construindo pela água ondulações de todos os tamanhos, espirais rubras descendo levemente até o fundo do copo onde armazena-se a groselha caída. O mesmo efeito poderia ser obtido derramando sangue sobre a água, mas esta não é uma história sobre vampiros, é uma história sobre amor. Aprecie o cheiro doce que exala aquelas curvas tão delicadas e suaves, tão frágeis que ao menor movimento se desmancham e transformam-se em outras novas ondulações, novas espirais, novas curvas de encantamento vermelho e doce dentro da transparência da água.

Foi assim que Melissa entrou em meu coração, ele transparente como a água, revestido de vidro. Suas curvas sob os lençóis de cetim assemelhavam-se tanto às minhas curvas dentro do copo de água. Sua boca, seus lábios torneados, cheios de reentrâncias e saliências, minúsculas colinas de pele vermelha, como que iluminadas pela luz do pôr-do-sol. A maneira como se desenvolvia pela cama, como chegava até mim com seus olhos felinos, seu cabelo cor de rosa, era tudo como meu delicioso suco de groselha, da minha criança perdida que eu reencontrava agora em Melissa.

Experimente você algum dia preparar o suco de groselha conforme lhe expliquei. Sinta o cheiro, observe a fina linha de líquido vermelho saindo da garrafa, caindo na água como espiral e aquietando-se ao fundo do copo, calmamente, uma generosa porção de groselha vermelha. Misture as duas substâncias. Tudo se tornará vermelho, completamente vermelho e doce, assim como em minha vida tudo se tornou Melissa, Melissa dos olhos de gato e cabelo cor de rosa.

© Texto by Danusia R., do blog Hipermoderna

Postado por BF.

29.01.2007

[16:30:05]

OUTROS SABORES - VERA

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Um conto relato-não ficção de MarisaW, do blog L[ATITUDES]

“Gozei intensamente com a boca de Vera em mim, sugando-me inteirinha, como se fosse uma ventosa. Sua língua entrava e saia da minha vagina com tanta energia, que era como se ela tivesse várias. Seus dedos continuaram, nervosos, a me acacriciar e a me apertar, enquanto ela continuava a lamber os lábios do meu sexo, cheia de volúpia. Mesmo depois que as convulsões do meu primeiro orgasmo se acalmaram, ela continuara a me lamber, a me sugar, a me cheirar, parecia totalmente faminta de mim. E continuou, continuou até que um outro orgasmo me tomou por inteira e eu comecei a tremer de intenso prazer. Mulher sexualmente muito ativa, Vera tinha um temperamento de dominadora. Ela impunha o ritmo dela naquele nosso delicioso jogo. Eu estava completamente remexida em meu interior, quase inerte. Alternava meus rápidos clarões de consciência com torpores quase orgásmicos, extasiada pelo intenso prazer que meu corpo recebia naquele instante. Profundamente excitada mas, ao mesmo tempo, perplexa com a insólita experiência que eu vivia, totalmente revolvida no meu lado feminino, em meus afetos, em minhas convicções, tudo parecia uma mistura de líquidos diferentes agitados dentro de uma imensa garrafa. Vera era senhora da situação e, embora muito excitada também, continuava a me seduzir com total consciência do que fazia. Como uma serpente prepara o seu bote, ela me fazia ter um orgasmo após outro, parecendo não se abalar muito com o que se passava dentro de mim. Docemente, puxei sua cabeça para perto da minha, querendo beijá-la. Foi um ato instintivo, como um reconhecimento pelo prazer intenso que ela estava a me proporcionar naquele momento. Vera não relutou e ofereceu-me os seus lábios, extasiada. Fechei os olhos e a beijei. Foi a primeira vez que eu beijara uma outra mulher na boca. A princípio eu o fiz com carinho, quase que com adoração, mas à medida que nossas línguas começaram a se lamber, a se roçar, a se embater, nervosas e despudoradas, uma sede de sexo foi tomando cada vez mais conta de mim e nossa bocas se colaram num demorado beijo, furioso, selvagem, um beijo quase animal. Nossas línguas dançaram e se atracaram, famintas como duas guerreiras apaixonadas.”

Leia na integra em nossa seção Outros Sabores-link em nosso sidebar.

Postado por BF.