01.12.2007

[11:57:59]

MULHERES NO DIA MUNDIAL DA LUTA CONTRA A AIDS

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Dia Mundial de Combate à Aids

No dia 1º de dezembro, o mundo se mobiliza para promover ações de combate à Aids. No Brasil, todos os anos o Ministério da Saúde promove a Campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids, que busca estimular a prevenção e diminuir a disseminação do vírus HIV. Estatísticas indicam crescimento significativo e preocupante de casos de mulheres contaminadas, inclusive no Brasil, fato que levou o Governo brasileiro a lançar o Plano de Enfrentamento da Feminização da Aids e outras DSTs.

Hoje, no mundo todo, existem 17,3 milhões de mulheres com 15 anos ou mais portadoras de HIV. Segundo o Ministério da Saúde, a proporção de ocorrência da doença entre os sexos vem diminuindo: de 15,1 homens por mulher em 1986, para 1,5 homens por mulher em 2005.

Até junho do 2006, existiam 142 mil casos notificados de mulheres no Brasil. Outros 290 mil são homens, em uma porcentagem de 67,2% de homens e 32,8% de mulheres.

Mais da metade das mulheres infectadas (52%) não possui escolaridade ou concluiu o primeiro grau. O que significa que a Aids atinge cada vez mais mulheres em situação de pobreza e com pouca escolaridade. Além disso, um fator de disseminação do vírus é a dificuldade das mulheres que vivem relações estáveis exigirem o uso de métodos preservativos por parte de seus/suas companheir@s.

É preciso levar uma informação correta a todos os níveis da população, principalmente aos jovens, agentes futuros desses conhecimentos preventivos de saúde e violência, que garantirão a sobrevivência das populações humanas.

Fonte: http://www.agende.org.br/16dias/

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É BOM LEMBRAR

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O sexo entre mulheres não é considerado uma prática de alto risco para a contaminação com o HIV, por isso muitas vezes as lésbicas consideram-se imunes, acreditando que não precisam se preocupar com a questão da AIDS. No entanto, é bom lembrar:

:: Algumas mulheres que fazem sexo com mulheres também fazem sexo com homens. Se essas mulheres não se protegem, estão se expondo e expondo suas parceiras ao risco.

:: Lésbicas também podem utilizar drogas injetáveis e compartilhar seringas, o que as expõem ao contágio do HIV por outra via, que não a sexual.

:: Algumas práticas sexuais entre mulheres também oferecem riscos. O sexo oral é uma delas, que possui risco menor do que o sexo vaginal ou anal hetero, por exemplo, mas não está livre. Nesses casos, o risco aumenta caso houver lesões na boca, na vagina ou a parceira estiver menstruada.

:: Compartilhar sex toys usados para penetração também nos expõe ao risco. Práticas que podem causar lesões ou sangramento, como é o caso do fisting ou algumas práticas BDSM, também aumentam o risco de transmissão durante o sexo entre mulheres.

:: O HIV pode ser transmitido através do sangue, leite materno, fluidos vaginais e sêmen de uma pessoa infectada. Então, estamos expostas ao risco toda vez que qualquer um desses fluidos entrar em contato com nossa corrente sanguínea. Não apenas através do sexo!

:: A AIDS não é a única doença que pode ser transmitida através do sexo. Hepatite B e C, sífilis, HPV e tantas outras doenças são transmissíveis SIM pelo sexo lésbico. Atenção!

Fazer o teste e se proteger é um sinal de amor e respeito por nós, pelas nossas parceiras e pelas pessoas que amamos. A AIDS ainda não tem cura e é considerada uma epidemia mundial, que mata milhares de pessoas todos os anos, é sempre bom lembrar.

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Lutar por uma causa é ter atitude!
Qual a sua atitude?

Passeata Virtual de Luta Contra a AIDS
http://www.qualsuaatitude.com.br/html/index.html

O UVA já está lá! Entre nessa você também!
http://www.qualsuaatitude.com.br/passeata.asp?id=310

Postado por BF.

12.11.2007

[15:27:24]

CONSCIÊNCIA NEGRA - SOB A SOMBRA DA INCONSCIÊNCIA UNIVERSAL

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No dia 20 de novembro algumas cidades brasileiras estarão comemorando o Dia da Consciência Negra. Em datas como essa é comum se ouvir reações nada conscientes e irônicas sobre a não existência de uma data correspondente relativa às maiorias. Tipo: por que não um “Dia dos Homens”? Por que não um “Dia da Consciência Branca”? Por que não uma “Parada do Orgulho Hetero”? A resposta, no entanto, é simples… experimente, por exemplo, nascer negro, ou mulher, ou lésbica ou, mais, as três coisas juntas. Depois faça esse discurso.

Abaixo, apenas um aperitivo do que (ainda) representa ser mulher em algumas culturas… e a importância que o mundo dá a isso, principalmente se essa mulher é negra.

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Feminicídio no Congo

Por Eve Ensler

Dramaturga, artista e ativista, Eve Ensler é a autora premiada de “Monólogos da Vagina”, peça que foi traduzida para mais de 45 línguas e está em exibição em teatros em todo o mundo, incluindo o Off-Broadway’s Westside Theater e o West End de Londres. Eve Ensler tem dedicado sua vida à luta contra violência e sonha com um planeta em que as mulheres serão livres para prosperar, em vez de apenas limitarem-se a sobreviver. É fundadora de V-Day, um movimento global que apóia organizações anti-violência em todo o mundo, ajudando-as a continuar e expandir o seu trabalho principal em campo, e, ao mesmo tempo, chamando à atenção do público para a luta contra a violência mundial contra as mulheres (incluindo violação, espancamento, incesto, mutilação genital feminina, escravidão sexual).

Volto do inferno. Procuro desesperadamente uma maneira para lhes contar o que vi e ouvi na República Democrática do Congo. Procuro uma maneira para lhes narrar as histórias e as atrocidades, e, ao mesmo tempo, evitar que fiquem abatidos, chocados ou afetados mentalmente. Procuro uma maneira de lhes transmitir o meu testemunho sem gritar, sem me imolar ou sem procurar uma AK 47.

Não sou a primeira pessoa que denuncia as violações, as mutilações e as desfigurações das mulheres do Congo. Existem relatórios a respeito deste problema desde 2000. Não sou a primeira que conta essas histórias, mas, como escritora e militante contra a violência sexual contra as mulheres, vivo no mundo da violação. Passei dez anos a ouvir as histórias de mulheres violadas, torturadas, queimadas e mutiladas na Bósnia, Kosovo, Estados Unidos, Cidade Juárez (México), Quênia, Paquistão, Haiti, Filipinas, Iraque e Afeganistão. E, apesar de saber que é perigoso comparar atrocidades e sofrimentos, nada do que eu tinha escutado até agora foi tão horrível e aterrorizador como a destruição da espécie feminina no Congo.

A situação não é mais do que um feminicídio, e temos que a reconhecer e analisar como tal. É um estado de emergência. As mulheres são violadas e assassinadas a toda hora. Os crimes contra o corpo da mulher já são horríveis por si. No entanto, há que acrescentar o seguinte: por causa de uma superstição que diz que, se um homem viola mulheres muito jovens ou muito idosas, obtém poderes especiais, meninas de menos de doze anos de idade e mulheres de mais de oitenta anos são vítimas de violação.

Também é necessário acrescentar as violações das mulheres em frente de seus maridos e filhos. Mas a maior crueldade é a seguinte: soldados soropositivos organizam comandos nas aldeias para violar as mulheres, mutilá-las. Há relatos de centenas de casos de fístulas na vagina e no reto causadas pela introdução de paus, armas ou violações coletivas. Essas mulheres já não conseguem controlar a urina ou as fezes. Depois de serem violadas, as mulheres são também abandonadas por sua família e sua comunidade.

No entanto, o crime mais terrível é a passividade da comunidade internacional, das instituições governamentais, dos meios de comunicação… a indiferença total do mundo perante tal extermínio. Passei duas semanas em Bukavu e Goma entrevistando as sobreviventes. Algumas eram de Bunia. Efetuei pelo menos oito horas de entrevistas por dia. Almocei e fui a sessões de terapia com essas mulheres. Chorei com elas. O nível de atrocidades supera a imaginação. Não tinha visto em nenhuma parte esse tipo de violência, de tortura sexual, de crueldade e de barbárie.

No leste do Congo existe um clima de violência. Nesta zona as violações tornaram-se, tal como me disse uma sobrevivente, um “esporte nacional”. As mulheres são menos do que cidadãs de segunda classe. Os animais são mais bem tratados. Parece que todas as tropas estão implicadas nas violações: as FDLR, as Interahamwe, o exército congolês e até as Forças de Paz da ONU. A falta de prevenção, de proteção e a ausência de sanções são alarmantes.

Passei uma semana no Hospital de Panzi, vivendo em uma aldeia de mulheres violadas e torturadas. Era como uma cena de um filme de terror futurista. Ouvi histórias de mulheres que viram os seus filhos serem brutal e cinicamente assassinados. Mulheres que foram forçadas, sob a ameaça de armas, a ingerir excrementos, a beber urina ou a comer bebês mortos. Mulheres que foram testemunhas da mutilação genital dos seus maridos ou, durante semanas, violadas por grupos de homens. Essas mulheres faziam fila para me contar as suas histórias. Os traumas eram enormes e o sofrimento extremamente profundo.

Sentei-me com mulheres que tinham sido cruelmente abandonadas por suas famílias, excluídas por causa do seu cheiro, e pelo que tinham sofrido. Eu quero lhes falar da Noella. Mudei-lhe o nome para a proteger porque ela só tem nove anos de idade. Noella vive dentro de mim agora, persegue-me, leva-me a agir, a lembrar. Ela é magra, muito inteligente e viva. O dano está no seu corpo ligeiramente torto, envergonhado, preocupado. Ela sente a ansiedade nos seus pequenos dedos. Começa a contar a sua história como se ainda vivesse. Para ela o tempo parou.

“Uma noite as Interahamwe vieram à nossa casa. Eles não deixaram nada. Pilharam nossa casa. Levaram a minha mãe para um lado, o meu pai para outro e a mim para outro. Levaram-me para o mato. Um deles pôs qualquer coisa dentro de mim. Não sei o que foi. Um disse para o outro, não faça isso, não faça mal a uma criança. O outro me bateu. Eu fiquei sangrando. Ele me bateu mais e eu caí. Depois me abandonou. Passei duas semanas com os soldados. Eles me violaram constantemente. Às vezes usavam paus. Um dia me deixaram no mato. Tentei caminhar até a casa do meu tio. Consegui, mas estava demasiado fraca. Tinha febre. Estava muito mal. Cheguei até a casa. O meu pai tinha sido morto. A minha mãe voltou, mas em muito mau estado. Comecei a perder a urina e as fezes sem controle. Depois minha mãe percebeu que eles tinham me violado e destruído. Eles registraram o que tinha me acontecido e me trouxeram para cá. Estou contente por estar aqui. Já não perco a urina e ninguém ri de mim. Os rapazes riem de mim. Já não tenho vergonha. Deus julgará aqueles homens, porque eles não sabem o que fazem. Quero me restabelecer. Também penso em como eles mataram o meu pai. Sempre que penso no meu pai as lágrimas caem pelo rosto.”

O Dr. Mukwege, que, tanto quanto posso dizer, é um tipo de médico “santo” no hospital, disse-me que a uretra da Noella está destruída. Sendo tão jovem, ela não tem tecido suficiente para operar. Terá de esperar oito anos. Oito anos de vergonha e humilhação. Oito anos em que será forçada a recordar todos os dias o que aqueles homens lhe fizeram na floresta, antes dela ter idade suficiente para saber o que era um pênis. Ela é incontinente. O médico me disse: “O que acontece a essas jovens é terrível. Elas têm muito medo de serem tocadas por homens. Às vezes leva semanas até eu conseguir tratá-las. Dou-lhes bombons e trago-lhes bonecas.”

As mulheres sofrem imensamente. Estão debilitadas pelas violações, as torturas e a brutalidade. Não têm praticamente apoio nenhum. Depois de viver essas atrocidades, são incapazes de trabalhar nos campos ou de transportar coisas pesadas, por isso deixam de ter renda. Vi chegar pelo menos doze mulheres por dia a essa aldeia. Chegavam mancando e apoiadas em bengalas feitas à mão. Várias mulheres contaram-me que “as florestas cheiravam à morte”, e que “não se podia dar nem cinco passos sem tropeçar com um corpo”.

Durante a semana que passei em Panzi, o governo cortou a água. Por isso, o hospital, onde havia centenas de mulheres feridas, ficou sem água. O mesmo hospital pelo qual as mulheres tinham andado mais de sessenta quilômetros porque não havia outro mais perto. O mesmo hospital onde não havia nada para comer, (duas crianças morreram por má nutrição em um dia), onde as mulheres tinham de ficar durante meses, às vezes anos, porque as suas aldeias eram tão perigosas ou porque eram tão rejeitadas, após terem sido violadas e desonradas, que não tinham um lugar para onde voltar, onde as mulheres não podiam apresentar queixa porque os violadores podiam facilmente comprar a sua saída da prisão, voltar e violá-las outra vez, ou matá-las.

E, enquanto nós estamos aqui escrevendo nosso relatório, há mulheres que estão sendo violadas, meninas que estão sendo destroçadas para sempre, mulheres sendo testemunhas do assassinato (a golpe de catana) de suas famílias, e outras que estão sendo infectadas pelo vírus da AIDS. Onde está a nossa indignação? Onde está a consciência das pessoas?

Em 1999, eu voltei aos Estados Unidos de uma viagem ao Afeganistão, ainda debaixo do poder dos talibãs. As condições das mulheres, a violência… era uma loucura. Dirigi-me a todas as pessoas que consegui encontrar, canais de televisão, revistas, líderes etc. Com exceção de uma revista, ninguém parecia estar interessado no problema das mulheres afegãs.

Naquela altura eu sabia que, se não se interviesse, se o mundo não se levantasse e ajudasse as mulheres, haveria graves conseqüências internacionais. Sabemos o que aconteceu depois. Não apenas o 11 de Setembro, mas a reação ao 11 de Setembro, a profanação do Iraque, a justificação dos ataques preventivos, o aumento da militarização e violência e o terror que ainda hoje continua a aumentar.

As mulheres são o centro de qualquer cultura e sociedade. Embora possam não ter poder ou direitos, o modo como são tratadas ou não valorizadas, indica o que a sociedade sente em relação à própria vida. As mulheres do Congo são resistentes, poderosas, visionárias e solidárias. Com poucos recursos elas poderiam ser líderes do país e tirá-lo do seu atual estado de desordem, pobreza e caos; ou podem ser aniquiladas e, com elas, o futuro do país. A República Democrática do Congo é o coração da África, o centro dinâmico e a promessa do futuro. Se se permitir a destruição das mulheres, mata-se a vida, não apenas do Congo, mas de todo o continente africano.

Eu estou aqui como artista e ativista, mas, sobretudo, estou aqui como um ser humano destroçado pelo que ouvi na República Democrática do Congo. Estou aqui para implorar àqueles que têm poder, para declarar estado de emergência no leste do Congo, para dar um nome ao que está sendo feito às mulheres: feminicídio. Para se unirem à nossa campanha internacional para parar as violações do melhor recurso do Congo, e dar poder às mulheres e jovens do Congo. Para desenvolver os mecanismos para proteger essas mulheres, para impedir esses crimes horrorosos e desumanos.

Link para o texto na íntegra e outras informações:
http://www.viapolitica.com.br/fronteira_view.php?id_fronteira=117

Postado por BF.

17.05.2006

[13:59:18]

MAMÃE BUTCH, MAMÃE FEMME

(Problemas técnicos impediram a publicação deste post na data)


Grávida e sexy!

Nesse mês das mães a gente queria dar um aparte sobre mães lésbicas e grávidas lésbicas.

Lésbicas, mesmo antes de bancos de sêmen e inseminações artificiais, sempre engravidaram e foram mães. Ou por que as circunstâncias da vida a levam a se casar com homens ou engravidar deles, ou pedem a um amigo para fertilizá-las, ou porque adotam os filhos da companheira ou de terceiros…Butches também, vejam o exemplo da Cássia Eller. Igual a ela há milhares pelo mundo.

Casais lésbicos que resolvem engravidar enfrentam questões extras além das comuns a qualquer futura mamãe: como conseguir o doador; perguntas indiscretas tipo “foi inseminação ou foi ‘no real’ “?; a questão legal de não poder declarar as duas mães no registro de nascimento; e mais toda sorte de situações de curiosidade e preconceito que vcs podem imaginar, dentro e fora das famílias.

Grávidas lésbicas geralmente deixam seus ginecologistas confusos quando lhes perguntam sobre o sexo lésbico na gravidez (quando essas tem coragem de perguntar, claro). Os mesmos médicos teriam 0% de hesitação em responder sobre os cuidados que um parceiro homem deve ter com sua parceira grávida.

Para quem acha um absurdo que um casal gay ou lésbico tenha o direito de ter filhos e duvida que possam criá-los propriamente, lembre-se que ser filho de um casal hetero não é nenhuma garantia de sanidade e moralidade…olhe a sua volta e leia os jornais.

E para os que também acreditam que casais gays ou lésbicos irão “influenciar” seus filhos a “virarem” gays ou lésbicas…Well… A maioria - senão todos - os gays e lésbicas que nós conhecemos são filhos de pais heterossexuais e vem de famílias bem “enquadradinhas”. Estes também não deveriam ter influenciado na heteroafetividade de seus filhos e filhas???


O carinho do UNV pra todas!

Postado por BF.