22.07.2008

[15:31:46]

NEM IGUAL, NEM NORMAL, SER DIFERENTE É NATURAL

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DRAG KINGS: BRINCANDO COM OS GÊNEROS

O Drag King, de uma certa forma, não expõe simplesmente os desejos ditos “anormais” ou “gêneros anormais”, ele brinca com o que já é perverso no normal.¹

Este texto é produto de minha pesquisa de pós-doutorado, realizada na New York University (NYU) de setembro de 2001 a julho de 2002. O alvo dessa pesquisa foi a comunidade transgender, termo guarda-chuva usado para designar as pessoas que desafiam os papéis rígidos desempenhados pelos gêneros. Dentre a diversidade que compõe essa comunidade, gostaria de privilegiar aqui a atuação dos Drag Kings, para esta mesa sobre “Representações de Gênero: significados singulares e plurais”.

Escrito por Judith Halberstam e com fotos de Del LaGrace Volcano, The Drag King Book aponta no primeiro capítulo a dificuldade de conceituar o termo. Entre as inúmeras tentativas, gostaria de citar a seguinte: “um performer que transforma a masculinidade em seu show”.²  Este performer pode ser uma mulher heterossexual que assume uma persona masculina apenas para fazer o show, ou uma butch que encontra uma forma de expressar sua masculinidade. Cumpre ressaltar que o Drag King, assim como a Drag Queen, pode fazer uso apenas do palco para existir como também, ao inverso, fazer uso do drag para existir.

No dia 27 de fevereiro de 2002, participei do evento “Performing Gender: A conversation with Judith Halberstam and Drag King Dréd Gerestandt”, organizado pelo Barnard Center for Research on Women. A professora de Literatura da Universidade da Califórnia assinalou em sua palestra que as transformações de gênero na história coincidem com o surgimento de male impersonators, e citou, como exemplo, a época vitoriana e os anos 20. Do ponto de vista de Halberstam, os estudos queer se desenvolveram em estudos culturais. Levando em consideração seu campo de pesquisa, ela considera o Drag King um bom exemplo de participante sub-cultural. Cabe ao teórico, ao seu ver, coletar material, produzir interpretação além do mainstream, e trabalhar como historiador para registrar a atuação do participante da sub-cultura.

Judith Halberstam mencionou que o tema de sua palestra era “Perigos e prazeres da colaboração”, devido ao seu interesse na relação entre a academia e a sub-cultura. Naquele momento, ela estava colaborando em um filme sobre Drag Kings que, no seu ponto de vista, não poderia ser classificado de documentário, uma vez que o cenário era falso. Halberstam localiza os Drag Kings nos anos 90 e os associa às pessoas brancas e à comunidade lésbica. A professora de literatura enfatizou que não relaciona os Drag Kings aos FTM (Female-to-male transsexuals), mesmo porque os próprios transexuais avaliam os Drag Kings como uma humilhação para a sua comunidade por tratarem, de forma lúdica, a questão do gênero. De acordo com Halberstam, os Drag Kings capturam tanto a potencialidade como a probabilidade da juventude. Observando atentamente as fotos tiradas por Del LaGrace Volcano no livro acima mencionado, pude constatar que os Drag Kings são interpretados por mulheres jovens.

Entretanto, este evento estaria incompleto sem a presença de um Drag King para dialogar com a professora da Universidade da Califórnia. Considerada como uma das performers mais inspiradas de Nova Iorque, Dréd Gerestant é cantora, atriz, modelo e “ilusionista de gênero”. A famosa impersonator afro-americana abriu sua fala com a afirmação: “É natural ser diferente”, seguida de um discurso em que defendeu a liberdade de gênero assim como questionou os conceitos de masculinidade e feminilidade.

O que chamou a minha atenção na performance de Dréd foi sua capacidade de materializar esse questionamento, ao desempenhar tanto papéis masculinos como femininos. Utilizando-se de perucas, roupas e acessórios apropriados, ela se transforma em frente à platéia – o que também contribui, a meu ver, para esse questionamento. Mas isso não é tudo. Dréd admitiu em público que algumas pessoas pensam que ela é MTF (Male-to-female transsexual). De fato, ela tem uma aparência andrógina, com seu corpo negro esbelto e rosto assexuado. Por conseguinte, ela é extremamente convincente quando representa tanto como homem quanto como mulher - ela tem physique du rôle. Desempenhando o papel de mulher, ela coloca uma peruca vermelha, usando apenas um soutien vermelho de couro e short preto. Vestida desta forma, ela tira uma maçã de seu short e morde a fruta. “Toda vez que eu mordo a maçã estou reivindicando meu lado feminino”, ela afirmou orgulhosamente. Gostaria, no entanto, de ressaltar uma diferença. Quando ela representa ao som da música “A Natural Woman (You Make me Feel Like)”, interpretada por Aretha Franklin, ela atribui um significado diferente à essa música, já que “a mulher natural” é construída, passo a passo, na frente do público. Conseqüentemente, ela desconstrói, de forma lúdica, o conceito de “mulher natural”. No que diz respeito ao seu lado masculino, Dréd declarou em uma entrevista para o Drag King Book: “Quando estou em drag parece natural, porque eu tenho muita energia masculina”.³  Não surpreende, portanto, ela representar tão bem personagens como Marvin Gaye e Shaft. Ao observar seu show, tornou-se claro para mim que ela constrói e desconstrói ambos os gêneros com muita facilidade e habilidade. Sob meu ponto de vista, Dréd Gerestandt consegue corporificar o conceito de “fluidez dos gêneros”.

No dia 21 de junho, tive a oportunidade de assistir ao Sir Real’s “Reality Show” no WOW Café Theater localizado no East Village. Os Drag Kings deste espaço já consagrado se reúnem com o objetivo de eleger o tema do mês e desenvolver seus shows em torno do tema escolhido. O tema do mês de junho foi “High School Romance”. A melhor performance do show, na minha opinião, foi a de Brandon Iron. Este Drag King, personificado por uma aluna da NYU, vestia um chapéu de palha, botas e jeans. Ele tinha uma barba feita com maquiagem e uma mancha de batom em seu rosto. Sem sombra de dúvida, um dos mitos norte-americanos mais machistas é o do cowboy do oeste. Ao som de uma canção do oeste, Brandon Iron fazia trocadilhos sexuais com as expressões “save a penny” e “ride a cowboy”. Considero esta performance uma forma de desconstruir este mito, uma vez que Brandon Iron claramente “diz” para a público que masculinidade não é um privilégio dos homens. A propósito, este é o ponto principal de outro livro da já citada Judith Halberstam. Em Female Masculinity4, a autora argumenta que a masculinidade existe sem os homens, ao convidar o leitor a separar o conceito de masculinidade do corpo masculino. É surpreendente observar a multiplicidade de expressões de gênero que variam de identidades pré-lésbicas às performances de Drag Kings, incluindo a discussão sobre lésbicas stone-butch e male-to-female transgenders.

Gostaria também de acentuar no Reality Show a performance do apresentador. Sir Real deu início ao show vestido como uma femme, usando saia e blusa e uma peruca loura. Ao olhar para este Drag King, eu tive um impacto, pois somente então pude entender o que já havia lido em alguns livros. Quando uma mulher masculina se veste como femme, ao invés de parecer feminina, ela parece um homem gay em drag. Pois sua forte expressão de gênero prevalece, já que não pode ser suprimida por uma saia, cabelo longo e uso de batom. Por conseguinte, eu cheguei à conclusão de que não faz sentido nenhum o que a sociedade de consumo vem pregando. Nós, mulheres heterossexuais, não precisamos comprar roupas caras, maquiagem e acessórios com o objetivo de nos tornarmos femininas para, então, sermos o objeto do desejo masculino. Aprendi que a feminilidade não está localizada no exterior; ela é, ou não, a expressão de gênero de uma mulher. A feminilidade não pode ser adquirida através do uso de roupas ou de adereços ditos “femininos”. Ao longo do Reality Show, enquanto apresentava os Drag Kings e outros artistas performáticos, Sir Real ia tirando gradualmente seus itens femininos até ficar reduzido à roupa intima. Naquele momento, retirou o soutien e pediu a uma pessoa da platéia para ajudá-lo a enrolar seu busto em papel celofane e começou, também gradualmente entre as apresentações, a se vestir como um Drag King, com calça jeans, camisa e sapatos masculinos. A platéia pôde claramente visualizar o que é um Drag King e como ele se veste para a apresentação. Creio que ver este show me ensinou mais sobre Drag Kings do que provavelmente ler sobre eles.

Em “Curtain Call”, o último capítulo de The Drag King Book, Judith Halberstam estabelece as diferenças entre as performances de Drag Kings, ao discutir a contribuição dos impersonators para este aspecto da sub-cultura:

Como tentei demonstrar neste livro, não existem  relações essenciais entre ser uma pessoa masculina e representar como um Drag King, mas existe alguma relação entre representar a masculinidade e diminuir os elos naturais entre masculinidade e homens. Quando femmes ou mulheres heterossexuais femininas representam como Drag Kings, elas experimentam o privilégio masculino negado no dia a dia, e produzem uma mistura camp de feminilidade e masculinidade. Quando butches representam como Drag Kings, elas criam uma nova masculinidade, em torno de suas masculinidades cuidadosamente cultivadas e tendem a criar efeitos de realidade e efeito masculino convincente… 5

(…)

Finalizo meu texto tecendo o seguinte comentário sobre a epígrafe. Não existem desejos “anormais” ou gêneros “anormais”. A perversidade existente reside no conceito de normalidade que restringe o gênero a apenas duas categorias.

DRAG KINGS: BRINCANDO COM OS GÊNEROS - BERUTTI, Eliane Borges - UERJ

Notas:

¹ HALBERSTAM, Judith e VOLCANO, Del LaGrace. The Drag King Book.  London: Serpent’s Tail, 1999. p. 152  Minha tradução assim como todas as demais.
² Ibid, p. 36
³ Ibid, p.120
4 HALBERSTAM, Judith. Female Masculinity. Durham: Duke University Press, 1998.
5 HALBERSTAM e VOLCANO, Op. cit., p.150

Fonte original: http://www.rj.anpuh.org/Anais/2002/Comunicacoes/Berutti%20Eliane%20B.doc

Obs.: os destaques em negrito foram adicionados durante a edição do texto para a publicação neste site.

Postado por BF.

07.06.2008

[18:11:13]

CASSANDRA - O NOSSO ANJO PORNOGRÁFICO DE SAIAS

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Pioneira da literatura lésbica no Brasil, Cassandra Rios foi considerada moralista por escancarar estereótipos e preconceitos em linguagem popular

O sexo era assunto tabu. O prazer feminino não era concebido como uma possibilidade, muito menos um direito. A religião regia a moral e os bons costumes. Foi neste cenário adverso que surgiram os livros de Cassandra Rios, no fim da década de 1940. Seus temas: o erotismo entre mulheres, os conflitos internos e estereótipos associados a essa experiência. Tudo escrito de forma direta e sexualmente explícita.

Tamanha ousadia resultou em um tremendo sucesso editorial. Cassandra Rios, nascida Odete (1932-2002), tornou-se a pioneira da literatura homossexual no país e manteve-se como principal autora do gênero durante mais de trinta anos, resistindo inclusive à implacável censura imposta durante a ditadura militar (1964-1985).

Populares, em prosa simples quando não vulgar, veiculadas em livros baratos com capas provocantes e títulos chamativos, suas obras surpreendiam e cativavam um vasto número de leitores. Cassandra Rios chegou a vender 300 mil exemplares em um ano, transcendendo o público exclusivamente lésbico ou mesmo feminino.

Como explicar essa aceitação? Talvez, justamente por seu estilo ousado e extrovertido. Era uma mulher escrevendo sobre o prazer com outra mulher, e apresentando essa vivência como um caminho possível para a vida afetiva e amorosa. Quando seus livros foram publicados, a sigla GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) estava longe de existir, não havia organizações de homossexuais, e nem mesmo os meios de comunicação publicavam conteúdo erótico. Em uma sociedade patriarcal e machista, a maternidade ainda era considerada o principal papel feminino. Razão pela qual, embora um sucesso de vendas, seus livros sempre foram encarados como marginais.

A homossexualidade só aparecia, na literatura do final do século XIX e da primeira metade do XX, associada a três tabus: o pecado, a patologia e o crime. Esses elementos não estão ausentes da narrativa de Cassandra; pelo contrário: aparecem como formas de preconceito que suas personagens enfrentam. Por isso, as minorias sexuais, que não eram sequer pensadas como tal no Brasil daquela época, perceberam naqueles livros uma oportunidade de verem retratados aspectos de seu cotidiano.

O primeiro romance de temática lésbica a alcançar repercussão nacional foi o livro de estréia de Cassandra Rios, A volúpia do pecado, lançado em 1948. Nele, as personagens Lyeth e Irez buscam no dicionário um termo que defina seu comportamento — elas próprias questionavam a normalidade de um amor diferente dos padrões de sua época. A idéia de que o termo “lésbica” correspondia a um pecado está intimamente ligada ao amor homoerótico nesta obra: “Vinham-lhe à mente os nomes proferidos por dona Margot atribuídos às mulheres que se amavam como elas. Curiosas, consultaram o dicionário: Homossexuais, Tríbadas, Lesbianas! Seriam elas? (…) Queriam saber o porquê de um amor tão desnatural”, escreveu Cassandra.

Em Eudemônia, de 1956, o panorama é diferente: a protagonista vai parar em uma clínica psiquiátrica. Por trás da trama erótica, o que se lê é um retrato do fenômeno da divulgação da psicanálise, em especial da chamada “questão sexual”. Nessa história, a lésbica assumida se submete a um tratamento clínico que considera seu comportamento uma perversão sexual. O psiquiatra procura convencê-la a mudar: “Senhorita Eudemônia, todos aqueles que quiseram libertar-se do instinto pervertido foram bem-sucedidos em nossas clínicas. Tornaram-se criaturas normais e muitos deles hoje têm seu lar e até filhos”.

Seus livros revelam também elementos de transformação histórica: ao retratar um grande número de mulheres urbanas ao longo das décadas de 1950, 1960 e 1970, as obras indicam mudanças de comportamento das homossexuais femininas nesse período. Em Eu sou uma lésbica, de 1979, um baile de carnaval revela a postura mais assumida de gays e lésbicas, o que gerava forte reação contrária. A personagem vê um casal ser retirado à força do salão: “Meu carnaval estava acabado. (…) A bicha, gritando com sua voz esguaniçada coisas que eu nunca ouvira antes, sendo posta para fora; a machona, carregada pelos guardas escada abaixo”. Essas atitudes ainda eram encaradas como caso de polícia.

Apesar do preconceito, na década de 1970 a minoria homossexual passou a se fazer mais visível no Rio de Janeiro, e a ficção de Cassandra trazia várias referências reconhecíveis para quem freqüentava esse submundo. Nos livros Marcella (1975) e Anastácia (1982), por exemplo, aparece o fictício Aço’s Bar, uma alusão ao Ferro’s Bar, ponto de reunião desse público. Em várias outras obras, personagens se encontram em uma certa galeria sem nome, mas facilmente identificável: era a Galeria Alaska, tradicional reduto gay de Copacabana.

Durante a ditadura, a literatura erótica de Cassandra Rios tornou-se alvo certo para os censores. Produções vistas como pervertidas e pecaminosas eram desvios que precisavam ser combatidos pelo Estado. Resultado: trinta e seis dos seus quase cinqüenta títulos foram proibidos na época.

Na maioria das vezes, ela lançava os livros por pequenas editoras, em alguns casos com dinheiro do próprio bolso. Foi assim com o primeiro deles, A volúpia do pecado, pago pela mãe da escritora, que, no entanto, nunca leria um livro da filha. Hoje em dia, só é possível encontrar obras essenciais, como Copacabana posto 6 – A madastra (1972) e Eu sou uma lésbica (1979), em bibliotecas ou em sebos, pois estão esgotados e fora de catálogo. Recentemente, foram relançados alguns títulos: As traças (1975), Uma mulher diferente (1980), onde o personagem principal é um travesti, e o surpreendente Crime de Honra (2000), única obra até então inédita, na qual Cassandra se aventura pelo universo homossexual masculino.

Tachada de “pornográfica”, a literatura de Cassandra Rios não mereceu qualquer esforço de crítica naquele período. Porém, se ela não primava pelo rebuscamento do estilo, tinha o inegável mérito de descrever de forma aguda os conflitos subjetivos vividos pelos personagens: seus temores, questionamentos, e o preconceito já internalizado.

Em tempos de “politicamente correto”, se comparados à literatura lésbica atual — como nas coleções “Edições GLS” (Summus) e “Aletheia” (Brasiliense) —, seus escritos podem parecer moralistas ou mesmo condenatórios ao lesbianismo (sic). Afinal, ela se utilizava dos códigos culturais vigentes, cheios de preconceito, para narrar experiências afetivas fora dos padrões da sociedade heterossexual. Lançava mão de termos comuns aos estereótipos com os quais a sociedade, de maneira geral, se referia às homossexuais, como “machinha”, “sapatão”, “corça” e lésbica.

Mas esta escolha de narrativa, longe de significar moralismo, revela um caráter transgressor, uma opção pelo enfrentamento: utilizar os códigos conhecidos para compor uma nova abordagem do tema. A intenção é inserir o amor entre mulheres e a existência destas personagens no mundo concreto, com termos que são de domínio público, em vez de adotar uma linguagem compreendida apenas no ambiente homoerótico. E ela nem poderia fazer diferente, pois buscava o máximo de divulgação para suas obras.

A partir dos anos 1990, a literatura homossexual feminina assume um perfil engajado, de afirmação positiva dessa minoria. Ao privilegiar protagonistas atraentes e bem-sucedidas, acaba enquadrando o lesbianismo (sic) nos padrões hegemônicos na sociedade, com seus valores heterossexuais e mercadológicos. Um discurso que pode ter boas intenções políticas, mas faz alusão a um mundo artificial, distante do cotidiano concreto dos homossexuais.

“Ultrapassadas” ou “pornográficas” que sejam, as narrativas de Cassandra Rios apresentam um quadro muito mais verossímil da situação social e emocional das lésbicas de seu tempo.

© Texto, Adriane Piovesan - para a Revista de História

ADRIANE PIOVEZAN é Mestre em Estudos Literários pela UFPR e autora da dissertação “Amor romântico X Deleite dos sentidos: Cassandra Rios e a identidade homoerótica feminina na literatura” (UFPR, 2006).

Postado por BF.

19.05.2008

[16:24:43]

DICA UNV: NEWS IN THE SAFIC WORLD

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Labris e Sappho em Cena apresentam… o primeiro programa de Web TV totalmente dedicado às lésbicas brasileiras.

Reportagens, bate-papos e documentários sobre os mais diversos assuntos do mundo sáfico.

Duas edições já estão “no ar”. Confira aqui.

O UNV conferiu e adorou!

Parabéns meninas!!

Postado por BF.