22.06.2008

[22:16:00]

DIVERSIDADE SEXUAL, AFETO E DESEJO

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De uma maneira geral, a expressão da sexualidade fica reduzida a um coito, a uma relação sexual, não levando em conta outros aspectos, às vezes até nem ligados aos órgãos genitais, que são tão ou mais importantes que isso.

Essa supervalorização da sexualidade apenas circunscrita aos órgãos sexuais é percebida nas várias disfunções sexuais, de desejo, prazer, disfunções eréteis e ausência de orgasmo.

Geralmente, nossas crenças diversas, tais como nosso comportamento diante da vida, preconceitos e valores morais, desejos de felicidade e prazer, muitas vezes idealizados, nos levam a procurar no parceiro a segurança confortável, sem questionamentos ou dúvidas.

Mas como não há mentira que dure para sempre, principalmente quando mentimos para nós mesmos, é só prestarmos atenção, tentarmos nos ver lá no “escurinho” da alma e perceber que nas entrelinhas surgem sensações de espanto e desconforto quando nos deparamos desejando coisas e pessoas que se encontram fora do script.

Não raro desqualificamos, abandonamos ou agredimos verbal ou fisicamente aquilo que meramente não compreendemos na medida em que somos fruto do meio, e o meio, por mais que lutemos, tem uma força enorme nas nossas vidas.

A intolerância com que o mundo lida com as diversidades sexuais é diretamente proporcional à intolerância que reservamos aos nossos próprios desejos quando esses não correspondem à imagem que fazemos da nossa vida “hollywoodiana”, certinha como um filme.

Na teoria, a liberdade é um sentimento que todos nós perseguimos, mas na prática só conseguimos quando temos coragem de viver em harmonia com o que sentimos, pois quando foge do padrão somos invadidos por um vendaval não de vento, mas de culpas, sentindo-nos imorais ou doentes.

Imoral é a sociedade que não valoriza o afeto e o desejo na construção de uma relação afetiva. Heteros, homos, bi e trans são, antes de tudo, pessoas desejosas, todas elas, de expressar o amor.

Compreender essa diversidade significa exercer a sexualidade com respeito pela própria natureza e pela dos outros.

© Márcia Atik

Márcia Atik: psicóloga clínica, conferencista, com especialização em Sexualidade, Terapia de Família e Casal. É membro do Centro de Estudos e Pesquisas do Comportamento e Sexualidade (CEPCOS).

Postado por BF.

20.06.2008

[20:31:30]

UM INÍCIO DE CONVERSA - DIVERSIDADE SEXUAL

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Muita gente diz que o “homossexualismo” é condenado pela bíblia. Se, entretanto, fizermos uma leitura minuciosa e completíssima dos textos sagrados para religiões judaico-cristãs, não encontraremos a palavra homossexualismo, nem homossexualidade ou homossexual, em nenhuma passagem. Para quem imagina que a condenação ao amor homossexual vem de tempos imemoriais, uma informação: o termo homossexual foi criado apenas em 1868.

E, claro, imaginamos que o termo “heterossexual”, assim como o significado que a ele se atribui correntemente, o de amor normal entre pessoas de sexos diferentes, seja tão antigo quanto fazer sexo. Pois saiba: o termo heterossexual foi criado depois do termo homossexual, por volta de 1892, e significava, em sua origem, o amor patológico e doentio por pessoa de sexo oposto. Ou seja, até o início do século XX, o termo heterossexual designava um ser “depravado”! Foi apenas muito lentamente que a palavra heterossexual passou a ter a conotação do ideal erótico que conhecemos hoje. Surpresa?

Claro, pois nos acostumamos com os conceitos e significados vigentes em nossa época e em nossa cultura, esquecemo-nos, muitas vezes, de que eles são construções históricas, dependem da cultura e da forma de pensar dominante em determinada época e que sofrem variações de sentido no decorrer do tempo.

O amor entre pessoas do mesmo sexo, na época do Brasil colônia, por exemplo, era tido como pecado ou sem-vergonhice, sendo tratado com punição, o que podia até mesmo significar morte na fogueira da Inquisição. Com o avanço das ciências, a partir do final do século XIX, a medicina assumiu o “saber” sobre a sexualidade e, portanto, sobre a homossexualidade, que passou a ser entendida como doença, necessitando, assim, de cura e compaixão. Desde o final do século XX a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela medicina, pela psiquiatria e pela psicologia, sendo entendida a partir de então apenas como uma outra forma de se estabelecer relacionamento afetivo e sexual. Esses exemplos nos mostram que o controle da sexualidade e a forma de se entender a homossexualidade servem à ideologia dominante de uma determinada época. E, por isso, são mutáveis e moldáveis aos interesses de cada sociedade e cultura.

A cultura brasileira é fortemente marcada por concepções advindas do ideário cristão, especialmente católico. Assim, podemos entender a origem do preconceito contra a homossexualidade se entendermos que algumas idéias cristãs permeiam toda nossa sociedade, ajudam a formar a mentalidade social, até mesmo de quem não é católico ou cristão. Que idéias são essas? Vamos refletir: qual é a finalidade “natural” do sexo no ideário católico? Reprodução. Qual é a idéia aceita de família? Homem, mulher e filhos. Qual é a principal função da mulher: ser boa mãe. Qual é a posição masculina: de poder e dominação. Por tudo isso é que a homossexualidade é socialmente vista como antinatural e, por extensão, como anormal.

Agora chegamos a um ponto importante. Imagine como é ser homossexual em uma sociedade em que o padrão imposto é a heterossexualidade. Imagine o que significa ser travesti ou transexual numa sociedade em que o masculino tem, por princípio, mais valor do que o feminino. Imaginou? Se for difícil, vamos fazer um exercício simples: o que vem à mente, de forma automática, quando pensamos em gays, lésbicas, bissexuais, travestis? Algumas palavras que imediatamente emergem: sujeira, pecado, promiscuidade, abominação, semvergonhice, safadeza… e muitos outros termos do mesmo nível. Claro que, ao se descobrir com uma orientação sexual diferente da imposta pela sociedade como padrão, qualquer pessoa pode se sentir deslocada, diferente, errada. E esconder essa orientação sexual diferente é quase que a saída mais fácil e, muitas vezes, é a única possível. Tornando-se invisíveis socialmente, gays, lésbicas, travestis, bissexuais e transgêneros acabam sendo, involuntariamente, (re)conhecidos somente pelos estereótipos, ou seja, por idéias pré-concebidas presentes na sociedade que, além de não condizerem com a realidade, estão repletas de preconceitos, como vimos. Dessa forma, cria-se um círculo vicioso difícil de romper, já que a invisibilidade apenas ajuda a reforçar os estereótipos e alimentar a homofobia¹.

Mas então não existe saída? Claro que existe! Precisamos nos munir de informações adequadas para desconstruir essa mentalidade vigente. Precisamos entender, por exemplo, que os livros sagrados, como a Bíblia, são produção humana que sofreram inúmeras traduções e transformações no decorrer dos séculos, e que são interpretados de acordo com os interesses da cultura dominante. Por isso mesmo, não podem ser entendidos literalmente. Assim, por exemplo, a principal passagem bíblica em que supostamente há condenação da homossexualidade, a destruição de Sodoma e Gomorra, pode ser interpretada de forma totalmente diferente do que o pensamento cristão hegemônico prega atualmente. Há leituras que dizem que o pecado dos sodomitas foi a falta de hospitalidade com os viajantes desconhecidos, um verdadeiro “pecado” para aquela época. De mais a mais, como poderíamos, atualmente, interpretar ao pé da letra passagens bíblicas que dizem, por exemplo, que podemos possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que sejam adquiridos de países vizinhos, como lemos em Levítico 25: 44 ? Ou o que está no livro de Êxodo 35: 2, que estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber a pena de morte?

Olhe para os lados, observe as pessoas: somos todos diferentes, mas isso não deve ser motivo para criarmos tantas e tantas desigualdades. Aprendendo a conviver com - e a respeitar! as diferenças estaremos construindo um mundo menos árido, mais tranqüilo para todos vivermos em harmonia. Talvez um mundo verdadeiramente cristão!

¹ Homofobia: aversão a quem expressa orientação sexual diferente da heterossexualidade, que é aceita como padrão “normal” na sociedade. A homofobia se alimenta de preconceitos e estereótipos, muitos de origem religiosa, e gera rejeição e violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.

Esse texto faz parte da cartilha “Jovens pelo Direito de Decidir - Um Início de Conversa”.

Uma realização do grupo Católicas pelo Direito de Decidir

Autoras: Dulce Xavier, Regina Soares Jurkewicz e Valéria Melki Busin

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Católicas pelo Direito de Decidir

Rua Prof. Sebastião Soares de Faria, 57 – 6o andar

São Paulo, SP – Brasil – Cep 01317- 010

(55) (11) 3541-3476

cddbr@uol.com.br

www.catolicasonline.org.br

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Leia mais…

1. Apresentação:

- Quem são as Católicas pelo Direito de Decidir

- Uma nova proposta: Jovens pelo Direito de Decidir

2. Como se articulam sexualidade, religião, gênero e violência?

- As igrejas e a sexualidade

- O conceito de gênero

- Violência de gênero e religião

3. O direito de decidir:

- Prazer sexual

- Saúde sexual e reprodutiva

- Diversidade sexual

4. Transformando a realidade: desafios

Clique AQUI e tenha acesso ao documento na íntegra.

Postado por BF.

14.05.2008

[16:20:05]

LÉSBICAS - ENTRE O FETICHE MASCULINO E A CURIOSIDADE FEMININA

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É inegável a grande excitação que a idéia de 2 mulheres na cama suscita. A carga de erotismo é alta e parece estar entre as 3 maiores fantasias masculinas e cada vez mais ouvimos mulheres hetero revelando sua curiosidade em estar sexualmente com outra mulher, ou de fazer ménage a trois, seja para agradar a si mesmas ou a seus namorados/maridos. Salas de chats para lésbicas e boates GLS recebem visitas freqüentes de “casais”. E parece que há um “boom” no número de bissexuais ou bi-curious, como se diz em inglês. A lesbianidade está mais visível e naturalmente provocando mais curiosidade: “Afinal, o que duas mulheres fazem na cama?”, “Que gosto tem a xana?”, “Qual a textura da boca de uma mulher?”, “Será que mulheres fodem melhor outra mulher porque também são mulheres?”, e por aí vai.

Observamos coisas interessantes. Muitas lésbicas recebem com grande desconfiança e até mesmo desprezo essa bi-curiosidade toda. “Mulher transar com mulher está na moda”, elas dizem; que agora é “in” mulher ficar com mulher e que qualquer menininha atualmente diz que é “bi” para ser “muderna”; que a maioria sairia correndo se tivesse que encarar uma buceta de frente ou tivesse que enfrentar um mundo de preconceitos para sustentar um relacionamento não-convencional. Elas só querem ser “Tatus”, lésbicas “fashion”, sem maiores conseqüências e responsabilidades.

Muitas mulheres hetero nos escrevem dizendo que despertaram seu desejo por mulheres após ler o blog. Se o desejo já estava latente lá dentro delas ou não, é para se pensar.

Outras dizem que seus maridos/namorados jamais teriam ciúme se elas tivessem um relacionamento com outra mulher. Hum, interessante. E por que não? Tente responder aí. Outro homem não pode mas outra mulher pode? Isso dá muito papo para a happy hour no barzinho.

Outros papos que chegam até nós são os de homens ou casais atrás de uma segunda mulher para dividir a cama com eles. Boa parte das mulheres diz que quer agradar ao marido/namorado, os dois dizem que serve para dar uma “vitaminada” no relacionamento, homens dizem que é um grande tesão e um energético para o ego ter duas mulheres à sua disposição… é uma maneira de ter variedade sexual e não exatamente “trair” sua parceira fixa. Vários casais reclamam da dificuldade de arranjar uma parceira entre as lésbicas e em lugares GLS: “as lésbicas parecem que odeiam os homens!”. Mas o negócio é o seguinte: não adianta querer comprar pão em açougue, nem flor em peixaria… para achar meninas que topem ménage é preciso buscar nos lugares certos, tanto no mundo virtual (por exemplo, anunciando) ou no mundo real, como em clubs de sexo e swing. É muito engraçado observar um casal que vai pela primeira vez a um lugar GLS: eles parecem que aterrisaram na Disneylândia do sexo, ficam tensos, antenas ligadas… o engraçado é que muitas garotas estão lá na maior caretice com sua namoradinha, umas querem mais é dançar e beber, zoar com os amigos, outras estão atrás de uma namorada, outras procurando uma “ficada” ocasional… mas com outra mulher. E pode até ser que tenha uma ou outra atrás de uma arrojada sexual a 3 ou grupal… só achamos que (e isso é nossa impressão) uma mulher dificilmente irá a um lugar GLS atrás de sexo com um casal hetero… Portanto, achar ou não parceiras em lugares GLS vai ser questão de sorte, assim como numa boate hetero também. Para falar a verdade achamos que uma boate hetero sai até ganhando nesse caso… afinal, parece que está na moda…

Ser lésbica NÃO é ser sinônimo de gostar de colocar outras pessoas na sua cama além da sua própria parceira… nem que sejam outras mulheres. Aliás, não significa nem ser liberal ou gostar de sexo! Cada um é cada um, com seu cada um… Lésbicas gostam de sexo… como qualquer outra pessoa. Ser lésbica significa ter sua afetividade voltada para o mesmo sexo, o que não significa gostar de qualquer pessoa do mesmo sexo. Há lésbicas que gostam de transar com mais de uma mulher ao mesmo tempo, outras não. Há lésbicas que até transam com homens de vez em quando, embora se considerem lésbicas, da mesma maneira que muitas mulheres que transam com mulheres preferem se auto-denominar bissexuais ou até mesmo heteros. É estranho para nós o estereótipo que fazem dos homossexuais femininos e masculinos de que eles irão dar em cima de qualquer pessoa do mesmo sexo na primeira oportunidade, todos tarados! Isso, se vocês pensarem, é uma desumanização do outro, como se o homossexual não tivesse os mesmos sentimentos de um heterossexual. Caríssimos: homens e mulheres gays gostam de sexo tanto quanto VOCÊS; ou seja, tem gente que gosta MUITO, tem gente que gosta médio, tem gente que nem curte muito.Tem lésbica liberal e bem resolvida na cama, há outras centenas cheias de encucações. Ser homossexual não significa ser liberal, liberado, progressista. Naninanão. E muito menos libertino (ou como bem lembrou um leitor, ser gay não é sinônimo de promiscuidade).

Que fique bem claro que nós aqui no UNV não temos nada contra sexo a 3 ou grupal ou com homens. Como dissemos, cada um com seu cada um. Temos nossas preferências, mas respeitamos e celebramos a diversidade sexual. Se é consensual e entre pessoas que tem maturidade para entender o que estão fazendo, tudo vale. O que nos incomoda é a visão deturpada da homoafetividade. E por isso tentamos esclarecer.

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Postado por BF.