20.07.2008

[19:09:55]

CONSTRUIR, DESCONSTRUIR, CRIAR, RECONSTRUIR

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Desconstruir o velho para criar o novo

Por LD.

No primeiro ano de meu curso de arquitetura tive um professor que disse, talvez, as duas únicas coisas mais fundamentais de se saber pra quem deseja ser um arquiteto.

A primeira foi na área, digamos, técnica do modus operandi da arquitetura e consistia em um esquema da seqüência básica de um projeto. Algo extremamente simples, mas que não está escrito em nenhum livro e não consta da relação dos itens a serem ensinados, nem nas matérias específicas de projeto.

A segunda foi mais profunda e subjetiva, pelo menos pra mim, e “serve” pra tudo na vida, não só pra arquitetura. É o seguinte: todos nós, desde de o primeiro minuto de consciência, vamos criando um repertório, um arquivo, um gabarito, de formas, cores, espaços, sensações, etc etc e mais infinitos etecéteras. Assim, quando temos necessidade, vamos lá e pegamos no nosso acervo a informação que necessitamos. Até aí, nada de novo, certo? O lance é que fazemos isso também com nossos comportamentos, emoções, com nosso julgamento/avaliação, com as escolhas que fazemos durante a vida e, principalmente, com os modelos que adotamos e que achamos que serão a receita para sermos felizes ou simplesmente o que absorvemos como sendo o certo (o tal do “é assim que tem de ser”).

Então, se no seu repertório inconsciente, o gabarito para um relacionamento é o modelo heteronormativo (o que acontece com 11 entre 10 seres humanos que vivem em sociedade) esse vai ser o modelo que você vai tentar reproduzir… mesmo que você seja… homossexual…! Eeeeeita!

É, somos como as abelhinhas que fazem suas casinhas com aquelas coisinhas hexagonais, não por que acham bonitinho, mas por que enxergam o mundo dessa forma.

Caaaalma irmãos e irmãs, não vos desespereis… Não somos abelhinhas.

Meu professor (e eu também) guardou a melhor parte pro final: a grande sacada é que você pode e deve DESCONSTRUIIIIIIIR…!

O grande pulo do gato para um arquiteto, e todos somos os arquitetos de nossas vidas, é desconstruir o que temos como padrão e CRIAR!!

Novas estruturas, novos espaços que propiciem novas bases de relação, novas formas de ser e se relacionar.

Mesmo por que, como escreveu uma amiga, é “uma pena nós, homossexuais, não aproveitarmos essa nossa condição transgressora pra estabelecermos também novos conceitos sobre as relações, de forma a torná-las mais saudáveis e arejadas.”
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© Texto By LD, do blog Lésbica Disléxica

Postado por BF.

17.06.2008

[15:05:28]

SAPIENTI DICTUM SAT EST

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Quanto mais sinto, mais insensível quero ser.
Quanto mais amadureço, mais quero retroceder.
Quanto mais compreendo e aprendo sobre a “verdade da vida”, mais cativante torna-se a ignorância.
Sou incapaz de internalizar o porquê da pequenez, da futilidade, da frugalidade e da sutileza com a qual o mundo encobre seu núcleo e sua contaminada essência.
Há o preconceito social, que só não alcança o homem-vaso chinês.
Há o preconceito moral, que só respeita o homem-massa.
Há o preconceito sexual, do qual só escapam o homem-espada e a mulher-boneca.
Não satisfeito, o homem-inventivo ainda criou o preconceito racial (sic), que condena todo homem-exceção.
Diante de tantas constatações, o que resta? Apreciar o vaso, fomentar a massa e ser cortado pela espada?
Por que não optamos por cultivar a flor, questionar a massa e nos encantar com o arco-íris?
Da mesma forma que as perguntas nascem já fadadas ao vazio, assim comporta-se o homem probo em relação ao que o cerca: tudo o que transcende o seu ser, não importa ao seu ser, pois o homem-sapiens, ignorando esta sapiência que o distingue, ainda não conseguiu desenvolver sua visão lateral assim como o homo que, embora erectus, longe estava de ser reto.

M.D.M., em 29/05/2008, num momento de revolta, indignação, constatação e amor.

Um Desabafo, Copyright © M.D.M. - 2008

Postado por BF.

30.05.2008

[20:27:31]

“MAIS DO QUE TOLERAR É PRECISO APRENDER A ENTENDER”

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O conceito e a prática da tolerância*

“Na tradição da filosofia moral, a tolerância não é exatamente considerada uma “grande virtude” ou “virtude cardinal”, tal como é a justiça, a coragem, a prudência e a temperança ou moderação. Contudo, ela não deve ser posta do lado das chamadas “pequenas virtudes”, como é o caso da polidez. A tolerância deve ser vista numa posição especial, de entremeio das virtudes, sendo mais que respeito, polidez ou piedade. S.P. Rouanet, a vê “como passagem para um estágio mais civilizado e menos mecânico de convívio das diferenças”. Sinaliza, no entanto, que “as diferenças não devem ser apenas toleradas, porque do contrário elas se reduziriam a um sistema de guetos estanques, que se comunicariam no espaço público; deve ser uma virtude que cause interpenetração entre os diferentes.” Ou seja, a tolerância deve ser um ato constante de prevenção e educação.”

*Fragmento do texto O conceito e a prática da tolerância elaborado para uma primeira discussão conceitual acerca da formação do Grupo de Estudos Sobre a Intolerância. Por RAYMUNDO DE LIMA - Psicanalista, Professor do Departamento de Fundamentos da Educação (UEM) e doutorando na Faculdade de Educação (USP)

Postado por BF.