08.09.2008

[16:44:55]

QUEER - AFINAL, QUE “BICHO” É ESSE?

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“Hoje, as chamadas “minorias” sexuais estão muito mais visíveis e, conseqüentemente, torna-se mais explícita e acirrada a luta entre elas e os grupos conservadores. A denominação que lhes é atribuída parece, contudo, bastante imprópria. Como afirma em seu editorial a revista La Gandhi Argentina, “as minorias nunca poderiam se traduzir como uma inferioridade numérica mas sim como maiorias silenciosas que, ao se politizar, convertem o gueto em território e o estigma em orgulho - gay, étnico, de gênero”. Sua visibilidade tem efeitos contraditórios: por um lado, alguns setores sociais passam a demonstrar uma crescente aceitação da pluralidade sexual e, até mesmo, passam a consumir alguns de seus produtos culturais; por outro lado, setores tradicionais renovam (e recrudescem) seus ataques, realizando desde campanhas de retomada dos valores tradicionais da família até manifestações de extrema agressão e violência física.

Mas o que o torna o embate ainda mais complexo, é sua contínua transformação e instabilidade. O grande desafio não é apenas assumir que as posições de gênero e sexuais se multiplicaram e, então, que é impossível lidar com elas apoiadas em esquemas binários; mas também admitir que as fronteiras vêm sendo constantemente atravessadas e - o que é ainda mais complicado - que o lugar social no qual alguns sujeitos vivem é exatamente a fronteira.”

Fugindo de qualquer modelo, classificação ou engessamento - e para dar conta da multiplicidade de combinações possíveis entre sexualidade e gênero - surge o chamado movimento queer. Queer é “apreciar a transgressão e o atravessamento das fronteiras (de toda ordem), explorar a ambigüidade e a fluidez. Reinventar e reconstruir… é “mostrar o queer naquilo que é pensado como normal e o normal no queer”.

A teoria queer permite pensar a ambigüidade, a multiplicidade e a fluidez das identidades sexuais e de gênero mas, além disso, também sugere novas formas de pensar a cultura, o conhecimento, o poder e a educação.

“Tomaz Tadeu da Silva argumenta que, tal como o feminismo, a teoria queer efetua uma verdadeira reviravolta epistemológica. A teoria queer quer nos fazer pensar queer (homossexual, mas também “diferente”) e não straight (heterossexual, mas também “quadrado”): ela nos obriga a considerar o impensável, o que é proibido pensar, em vez de simplesmente considerar o pensável, o que é permitido pensar. (…) O queer se torna, assim, uma atitude epistemológica que não se restringe à identidade e ao conhecimento sexuais, mas que se estende para o conhecimento e a identidade de modo geral. Pensar queer significa questionar, problematizar, contestar, todas as formas bem-comportadas de conhecimento e de identidade. A epistemologia queer é, neste sentido, perversa, subversiva, impertinente, irreverente, profana, desrespeitosa.”

“Evita operar com os dualismos, que acabam por manter a lógica da subordinação. Contrapõe-se, seguramente, à segregação e ao segredo experimentados pelos sujeitos ‘diferentes’, mas não propõe atividades para seu fortalecimento nem prescreve ações corretivas para aqueles que os hostilizam. Antes de pretender ter a resposta apaziguadora ou a solução que encerra os conflitos, quer discutir (e desmantelar) a lógica que construiu esse regime, a lógica que justifica a dissimulação, que mantém e fixa as posições de legitimidade e ilegitimidade. “Em vez de colocar o conhecimento (certo) como resposta ou solução, a teoria e a pedagogia queer (…) colocam o conhecimento como uma questão interminável”.”

“Tal como os sujeitos de que fala, a teoria queer é, ao mesmo tempo, perturbadora, estranha e fascinante. Por tudo isso, ela parece arriscada. E talvez seja mesmo… mas, seguramente, ela também faz pensar.”

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Texto editado a partir do texto original “Teoria queer - uma política pós-identitária para a educação“, de autoria de Guacira Lopes Louro

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Para saber mais, leia o texto original, na íntegra aqui: http://www.uvanavulva.com.br/blog/teoria-queer

Postado por BF.

13.06.2008

[21:19:02]

DESABAFO - AMAR É PECADO?

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Enquanto ela blasfemava, ameaçava e acusava, eu lhe oferecia, cabisbaixa, meu respeito… E o mais oco de minha alma: o silêncio. Desejando que ela percebesse que apesar de desprovido de expressão, meu silêncio é dotado de conteúdo. Nunca havia relacionado a homossexualidade ao pecado antes das terríveis acusações dela. E foi ouvindo minha mãe vociferar crueldades que pela primeira vez pensei a respeito.

“Isso não é coisa de Deus, é pecado!!! O coisa ruim fica rondando, só esperando pra fazer inferno na vida de gente que abandona a igreja como você. Isso é coisa dele, do capeta!”

Demônio, em sua origem, grega, significa “inteligência suprema”. A palavra “Lúcifer” vem de “Lux” + “Fere”, ou seja: “aquele que carrega a Luz”. Foi a humanidade que mudou a conotação dessas palavras, transformando-as em coisas negativas. O pecado está na cabeça do homem, é fruto de seus preconceitos, de seus mitos, de seus interesses. Deus expulsou o Diabo do céu com um terço dos anjos. Não existe maldade que supere o poder e a criatividade Divina! Tudo é coisa de Deus.

Concluí que não é pecado o amor em nenhuma de suas formas de se manifestar. Pecado é condená-lo!

Clarisse Lispector disse que precisou que uma molécula dissesse sim à outra para que surgisse a vida.

É preciso nos mobilizarmos contra a mentalidade tacanha que acomete pessoas como minha mãe, que pensa como a maioria.

É preciso dizermos sim a quem realmente somos, agarrar nossos objetivos, lutar por eles e estarmos preparados para superar as conseqüências e gozar dos resultados.

Enquanto amar em qualquer de suas formas for pecado, chame-me pecadora, pois serei sempre eclética, hermética, herética.

Mas eu não quero viver num mundo metafísico, o meu amor não é platônico, e a minha felicidade jamais será submetida aos caprichos de gente intolerante, ignorante, puramente fenomenológica. Eu sou puramente númeno, e todos os dias digo “SIM”, para começar a viver o mais cedo possível a epifania com a qual sonho.

© Texto by LUAna
Em 11/11/2006

Postado por BF.

08.12.2007

[22:27:55]

UNV NEWS: PEOPLE AND ART

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Butch Jamie” é um filme independente (produzido pela Ballet Disel Films) e foi lançado em julho de 2007 nos Estados Unidos no Outfest: the Los Angeles Gay and Lesbian Film Festival, onde a autora/diretora/atriz Michelle Ehlen recebeu, do grande júri, o prêmio de melhor atriz.

Assumidamente lésbica, Michelle Ehlen estudou na The Los Angeles Film School. Ela escreveu, dirigiu e atuou no curta “Half Laughing” que foi exibido em um canal de TV (Logo - TV channel) e participou do The Ultimate Lesbian Short Film Festival com o curta Openly Lesbian. “Butch Jamie” é o primeiro filme de longa metragem de Michelle e também foi escrito, dirigido e é protagonizado por ela.

“Butch Jamie” é uma comédia gender-bending¹ sobre uma atriz desempregada que tenta quase tudo para conseguir um papel. Quando se apresenta vestida de forma feminina para as audições, a batalhadora atriz Jamie Klein (personagem interpretado por Michelle Ehlen) continuamente encara a rejeição, já que ela não é, e nem consegue ser, alguém com as características típicas de uma atriz para um papel principal. Incentivada pelo bem sucedido “cat actor” de sua colega de quarto Lola, Jamie decide por um outro approach em suas audições, ou seja, se assume como ela realmente é : Butch Jamie. Ela acaba sendo escolhida para um papel masculino e, apesar de a principio se sentir ofendida com isso, termina aceitando. Depois de um desconforto inicial, Jamie começa a se divertir com seu alter-ego masculino. A história se complica quando, de forma não intencional, Jamie desperta o interesse de Jill, uma sexy colega do set de filmagem que é (até aquele momento) heterossexual.

Outra coisa que chama a atenção é a trilha sonora do filme e o enorme potencial de suas canções, que tem tudo para se transformarem nos novos hits lés para a próxima temporada.

Enfim, o filme tem tudo para agradar a greg@s e troian@s e, de quebra, expandir os horizontes a respeito da diversidade.

Vale conferir!

Leia mais, saiba mais e ainda desfrute de um aperitivo da trilha sonora:
http://www.butchjamie.com/welcome.html

¹Gender bender é um termo informal, usado para se referir a alguém que conscientemente transgride, ou subverte, os papéis de gênero estabelecidos.

Postado por BF.