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DE E SOBRE AUTORES (PUBLICADOS) COM REPRESENTATIVIDADE NA LITERATURA HOMOERÓTICA

- Uma síntese do homoerotismo na literatura brasileira
Na história da literatura universal, desde a sua origem aos nossos dias, não faltam celebrações à homossexualidade. Já no Brasil, a obra de conteúdo homossexual, freqüentemente, tem minimizado o aspecto artístico para se concentrar em julgamento moral (caso da reação popular em torno da telenovela “América”, de Glória Perez, em 2005). Felizmente, hoje já se é permitido avaliar com nitidez os caminhos do homoerotismo na literatura brasileira, embora não o veja como gênero literário específico. Superada a época em que tal temática não vendia ou era lida às escondidas, podemos ver agora, em saliência, no complexo contexto dessa literatura, o tecido próprio da arte dita transgressora.
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- Cassandra Rios - o nosso anjo pornográfico de saias
Pioneira da literatura lésbica no Brasil, Cassandra Rios foi considerada moralista por escancarar estereótipos e preconceitos em linguagem popular
O sexo era assunto tabu. O prazer feminino não era concebido como uma possibilidade, muito menos um direito. A religião regia a moral e os bons costumes. Foi neste cenário adverso que surgiram os livros de Cassandra Rios, no fim da década de 1940. Seus temas: o erotismo entre mulheres, os conflitos internos e estereótipos associados a essa experiência. Tudo escrito de forma direta e sexualmente explícita.
Tamanha ousadia resultou em um tremendo sucesso editorial. Cassandra Rios, nascida Odete (1932-2002), tornou-se a pioneira da literatura homossexual no país e manteve-se como principal autora do gênero durante mais de trinta anos, resistindo inclusive à implacável censura imposta durante a ditadura militar (1964-1985).
Populares, em prosa simples quando não vulgar, veiculadas em livros baratos com capas provocantes e títulos chamativos, suas obras surpreendiam e cativavam um vasto número de leitores. Cassandra Rios chegou a vender 300 mil exemplares em um ano, transcendendo o público exclusivamente lésbico ou mesmo feminino.
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- A bíblia das lésbicas
O escritor londrino Radclyffe Hall (1880-1943) era apenas John para os íntimos. Vestia-se elegantemente, tinha modos aristocráticos e comportava-se como um bom inglês de linhagem notável. Adorava posar com calça de montaria e cigarro no canto da boca. Quando nasceu, porém, era uma linda menina e chamava-se Marguerite.
Na vida afetiva, uniu-se a Una Troubridge (1887-1963), um amor que teve papel importante em sua carreira literária: além de amante, Una atuava como agente, empresária e relações públicas de Radclyffe Hall. Com sua ajuda, o escritor tornou-se, durante a década de 1920, um dos que mais vendiam livros na Inglaterra.
O sucesso encorajou Hall a escrever uma obra “em defesa das almas mais mal interpretadas do mundo: os invertidos”. Nascia assim O Poço da Solidão, certamente o romance lésbico mais importante do século. O livro criou enorme polêmica e virou objeto de um processo legal que agitou a Inglaterra. Em novembro de 1928, O Poço da Solidão foi proibido, acusado de obscenidade.
Mas de obsceno o livro não tem nada. Trata-se de uma obra esclarecedora. Hall queria provar uma tese inovadora para a época: a de que a homossexualidade era inata e não poderia ser considerada crime ou doença, devendo ser tratada com mais compaixão pela sociedade. No romance, sua heroína acaba jogando a amada nos braços de um homem para poupá-la do escárnio público.
Apesar da proibição, o livro foi contrabandeado e virou objeto de culto em vários países. Depois do escândalo do julgamento, a carreira de Radclyffe Hall sofreu um baque e ele não conseguiu emplacar mais nenhum sucesso. Acreditava que a sociedade inglesa fosse capaz de aceitar a homossexualidade. Errou. Era cedo demais. No entanto, conseguiu fazer com que todos falassem do amor que até então não ousava dizer seu nome.
Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional
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