20.06.2008

[20:31:30]

UM INÍCIO DE CONVERSA - DIVERSIDADE SEXUAL

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Muita gente diz que o “homossexualismo” é condenado pela bíblia. Se, entretanto, fizermos uma leitura minuciosa e completíssima dos textos sagrados para religiões judaico-cristãs, não encontraremos a palavra homossexualismo, nem homossexualidade ou homossexual, em nenhuma passagem. Para quem imagina que a condenação ao amor homossexual vem de tempos imemoriais, uma informação: o termo homossexual foi criado apenas em 1868.

E, claro, imaginamos que o termo “heterossexual”, assim como o significado que a ele se atribui correntemente, o de amor normal entre pessoas de sexos diferentes, seja tão antigo quanto fazer sexo. Pois saiba: o termo heterossexual foi criado depois do termo homossexual, por volta de 1892, e significava, em sua origem, o amor patológico e doentio por pessoa de sexo oposto. Ou seja, até o início do século XX, o termo heterossexual designava um ser “depravado”! Foi apenas muito lentamente que a palavra heterossexual passou a ter a conotação do ideal erótico que conhecemos hoje. Surpresa?

Claro, pois nos acostumamos com os conceitos e significados vigentes em nossa época e em nossa cultura, esquecemo-nos, muitas vezes, de que eles são construções históricas, dependem da cultura e da forma de pensar dominante em determinada época e que sofrem variações de sentido no decorrer do tempo.

O amor entre pessoas do mesmo sexo, na época do Brasil colônia, por exemplo, era tido como pecado ou sem-vergonhice, sendo tratado com punição, o que podia até mesmo significar morte na fogueira da Inquisição. Com o avanço das ciências, a partir do final do século XIX, a medicina assumiu o “saber” sobre a sexualidade e, portanto, sobre a homossexualidade, que passou a ser entendida como doença, necessitando, assim, de cura e compaixão. Desde o final do século XX a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela medicina, pela psiquiatria e pela psicologia, sendo entendida a partir de então apenas como uma outra forma de se estabelecer relacionamento afetivo e sexual. Esses exemplos nos mostram que o controle da sexualidade e a forma de se entender a homossexualidade servem à ideologia dominante de uma determinada época. E, por isso, são mutáveis e moldáveis aos interesses de cada sociedade e cultura.

A cultura brasileira é fortemente marcada por concepções advindas do ideário cristão, especialmente católico. Assim, podemos entender a origem do preconceito contra a homossexualidade se entendermos que algumas idéias cristãs permeiam toda nossa sociedade, ajudam a formar a mentalidade social, até mesmo de quem não é católico ou cristão. Que idéias são essas? Vamos refletir: qual é a finalidade “natural” do sexo no ideário católico? Reprodução. Qual é a idéia aceita de família? Homem, mulher e filhos. Qual é a principal função da mulher: ser boa mãe. Qual é a posição masculina: de poder e dominação. Por tudo isso é que a homossexualidade é socialmente vista como antinatural e, por extensão, como anormal.

Agora chegamos a um ponto importante. Imagine como é ser homossexual em uma sociedade em que o padrão imposto é a heterossexualidade. Imagine o que significa ser travesti ou transexual numa sociedade em que o masculino tem, por princípio, mais valor do que o feminino. Imaginou? Se for difícil, vamos fazer um exercício simples: o que vem à mente, de forma automática, quando pensamos em gays, lésbicas, bissexuais, travestis? Algumas palavras que imediatamente emergem: sujeira, pecado, promiscuidade, abominação, semvergonhice, safadeza… e muitos outros termos do mesmo nível. Claro que, ao se descobrir com uma orientação sexual diferente da imposta pela sociedade como padrão, qualquer pessoa pode se sentir deslocada, diferente, errada. E esconder essa orientação sexual diferente é quase que a saída mais fácil e, muitas vezes, é a única possível. Tornando-se invisíveis socialmente, gays, lésbicas, travestis, bissexuais e transgêneros acabam sendo, involuntariamente, (re)conhecidos somente pelos estereótipos, ou seja, por idéias pré-concebidas presentes na sociedade que, além de não condizerem com a realidade, estão repletas de preconceitos, como vimos. Dessa forma, cria-se um círculo vicioso difícil de romper, já que a invisibilidade apenas ajuda a reforçar os estereótipos e alimentar a homofobia¹.

Mas então não existe saída? Claro que existe! Precisamos nos munir de informações adequadas para desconstruir essa mentalidade vigente. Precisamos entender, por exemplo, que os livros sagrados, como a Bíblia, são produção humana que sofreram inúmeras traduções e transformações no decorrer dos séculos, e que são interpretados de acordo com os interesses da cultura dominante. Por isso mesmo, não podem ser entendidos literalmente. Assim, por exemplo, a principal passagem bíblica em que supostamente há condenação da homossexualidade, a destruição de Sodoma e Gomorra, pode ser interpretada de forma totalmente diferente do que o pensamento cristão hegemônico prega atualmente. Há leituras que dizem que o pecado dos sodomitas foi a falta de hospitalidade com os viajantes desconhecidos, um verdadeiro “pecado” para aquela época. De mais a mais, como poderíamos, atualmente, interpretar ao pé da letra passagens bíblicas que dizem, por exemplo, que podemos possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que sejam adquiridos de países vizinhos, como lemos em Levítico 25: 44 ? Ou o que está no livro de Êxodo 35: 2, que estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber a pena de morte?

Olhe para os lados, observe as pessoas: somos todos diferentes, mas isso não deve ser motivo para criarmos tantas e tantas desigualdades. Aprendendo a conviver com - e a respeitar! as diferenças estaremos construindo um mundo menos árido, mais tranqüilo para todos vivermos em harmonia. Talvez um mundo verdadeiramente cristão!

¹ Homofobia: aversão a quem expressa orientação sexual diferente da heterossexualidade, que é aceita como padrão “normal” na sociedade. A homofobia se alimenta de preconceitos e estereótipos, muitos de origem religiosa, e gera rejeição e violência contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.

Esse texto faz parte da cartilha “Jovens pelo Direito de Decidir - Um Início de Conversa”.

Uma realização do grupo Católicas pelo Direito de Decidir

Autoras: Dulce Xavier, Regina Soares Jurkewicz e Valéria Melki Busin

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Católicas pelo Direito de Decidir

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São Paulo, SP – Brasil – Cep 01317- 010

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Leia mais…

1. Apresentação:

- Quem são as Católicas pelo Direito de Decidir

- Uma nova proposta: Jovens pelo Direito de Decidir

2. Como se articulam sexualidade, religião, gênero e violência?

- As igrejas e a sexualidade

- O conceito de gênero

- Violência de gênero e religião

3. O direito de decidir:

- Prazer sexual

- Saúde sexual e reprodutiva

- Diversidade sexual

4. Transformando a realidade: desafios

Clique AQUI e tenha acesso ao documento na íntegra.

Postado por BF.

17.06.2008

[15:05:28]

SAPIENTI DICTUM SAT EST

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Quanto mais sinto, mais insensível quero ser.
Quanto mais amadureço, mais quero retroceder.
Quanto mais compreendo e aprendo sobre a “verdade da vida”, mais cativante torna-se a ignorância.
Sou incapaz de internalizar o porquê da pequenez, da futilidade, da frugalidade e da sutileza com a qual o mundo encobre seu núcleo e sua contaminada essência.
Há o preconceito social, que só não alcança o homem-vaso chinês.
Há o preconceito moral, que só respeita o homem-massa.
Há o preconceito sexual, do qual só escapam o homem-espada e a mulher-boneca.
Não satisfeito, o homem-inventivo ainda criou o preconceito racial (sic), que condena todo homem-exceção.
Diante de tantas constatações, o que resta? Apreciar o vaso, fomentar a massa e ser cortado pela espada?
Por que não optamos por cultivar a flor, questionar a massa e nos encantar com o arco-íris?
Da mesma forma que as perguntas nascem já fadadas ao vazio, assim comporta-se o homem probo em relação ao que o cerca: tudo o que transcende o seu ser, não importa ao seu ser, pois o homem-sapiens, ignorando esta sapiência que o distingue, ainda não conseguiu desenvolver sua visão lateral assim como o homo que, embora erectus, longe estava de ser reto.

M.D.M., em 29/05/2008, num momento de revolta, indignação, constatação e amor.

Um Desabafo, Copyright © M.D.M. - 2008

Postado por BF.

13.06.2008

[21:19:02]

DESABAFO - AMAR É PECADO?

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Enquanto ela blasfemava, ameaçava e acusava, eu lhe oferecia, cabisbaixa, meu respeito… E o mais oco de minha alma: o silêncio. Desejando que ela percebesse que apesar de desprovido de expressão, meu silêncio é dotado de conteúdo. Nunca havia relacionado a homossexualidade ao pecado antes das terríveis acusações dela. E foi ouvindo minha mãe vociferar crueldades que pela primeira vez pensei a respeito.

“Isso não é coisa de Deus, é pecado!!! O coisa ruim fica rondando, só esperando pra fazer inferno na vida de gente que abandona a igreja como você. Isso é coisa dele, do capeta!”

Demônio, em sua origem, grega, significa “inteligência suprema”. A palavra “Lúcifer” vem de “Lux” + “Fere”, ou seja: “aquele que carrega a Luz”. Foi a humanidade que mudou a conotação dessas palavras, transformando-as em coisas negativas. O pecado está na cabeça do homem, é fruto de seus preconceitos, de seus mitos, de seus interesses. Deus expulsou o Diabo do céu com um terço dos anjos. Não existe maldade que supere o poder e a criatividade Divina! Tudo é coisa de Deus.

Concluí que não é pecado o amor em nenhuma de suas formas de se manifestar. Pecado é condená-lo!

Clarisse Lispector disse que precisou que uma molécula dissesse sim à outra para que surgisse a vida.

É preciso nos mobilizarmos contra a mentalidade tacanha que acomete pessoas como minha mãe, que pensa como a maioria.

É preciso dizermos sim a quem realmente somos, agarrar nossos objetivos, lutar por eles e estarmos preparados para superar as conseqüências e gozar dos resultados.

Enquanto amar em qualquer de suas formas for pecado, chame-me pecadora, pois serei sempre eclética, hermética, herética.

Mas eu não quero viver num mundo metafísico, o meu amor não é platônico, e a minha felicidade jamais será submetida aos caprichos de gente intolerante, ignorante, puramente fenomenológica. Eu sou puramente númeno, e todos os dias digo “SIM”, para começar a viver o mais cedo possível a epifania com a qual sonho.

© Texto by LUAna
Em 11/11/2006

Postado por BF.

11.06.2008

[15:03:25]

A HORA É AGORA - FAÇA A SUA PARTE

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Está sendo divulgado que mais de 80% das 36 mil ligações que o Senado recebeu sobre a PL 122/2006, entre dezembro de 2007 e maio de 2008, são para expressar opiniões contrárias ao Projeto. Essa informação foi fornecida pela Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública do Senado e foi divulgada pelo presidente da ABGLBT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transexuais) Tony Reis, nesta terça-feira (10/06).

Tony Reis informou também que, segundo a diretora da Secretaria de Pesquisas, Elga Lopes, a maioria destas ligações partem de pessoas envolvidas com alguma religião e que são orientadas a ligar.

Assim sendo, o presidente da ABGLBT sugere que o movimento militante proceda da mesma forma e ligue para o Disque PLC 122/2006 (Alô Senado) para expressar sua opinião a favor da aprovação.

A LIGAÇÃO É GRATUITA!

Acrescento que esta não é uma responsabilidade apenas dos militantes. Cada um de nós, que temos o DIREITO de viver em um Estado Laico DE FATO, podemos e devemos nos manifestar pela aprovação da PL 122/2006.

Alô Senado (Disque PLC 122/2006)

0800 612211
Das 8h às 20h, nos dias úteis.

Outra opção SUUUUUUUPER fácil e rápida para quem não puder ligar é enviar uma mensagem através do formulário que existe no site do Senado.

É só seguir as instruções:

. Link para o fomulário na página do Senado aqui.

. Tipo de Mensagem: SOLICITAÇÃO

. Preencha seu dados.

. Na parte do formulário referente à Mensagem, selecione “Comissão e liderança” e abaixo “Todos os Senadores” e todos eles receberão a sua mensagem.

. Sugestão de mensagem:

Senhor Senador e ou Senhora Senadora: Peço que vote contra o preconceito. Vote contra a violência. Vote sim ao relatório da Senadora Fátima Cleide. Aprovar o PLC 122/2006 nesta comissão é simbolizar que o Senado é contra a violência cometida contra todos os brasileiros e brasileiras GLBTs.

SOLICITO A APROVAÇÃO DA PL 122/2006!

POR UM ESTADO LAICO DE FATO!

. Você receberá um número de protocolo referente ao envio de sua mensagem.

A HORA É AGORA!
FAÇA A SUA PARTE!

LUTE POR SEU DIREITO - LIGUE, ESCREVA, DIVULGUE!

Postado por BF.