Ele, o Clitóris

“Esse terceiro mamilo (a expressão é de P. Louÿs), nós o acariciamos, nós o mimamos, nele pousamos nossos lábios. Ao fazê-lo, prestamos uma homenagem à mulher e lhe damos um prazer aparentemente desinteressado. (…) Essa pequena parcela de feminilidade, que se pode amorosamente pegar entre os dedos representa uma miniatura de todo o corpo feminino, que se pode pegar carinhosamente entre os braços.”

Trecho do livro “O Sexo da Mulher”, Gérard Zwang – Editora UNESP

“Publicado pela primeira vez na França em 1967 e agora reeditado em versão atualizada, este é um livro fascinante e provocador. Fascinante por ser o primeiro a fazer uma descrição anatômica exata do sexo da mulher de modo apaixonado e erudito. Provocador pela franqueza de seu autor, um ginecologista que não tem medo de dizer o que pensa, doa a quem doer. Ao mesmo tempo que nos leva a descobrir esse território pouco explorado cientificamente- o sexo da mulher-, o Dr.Gérard Zwang vai derrubando os tabus que o cercam, dando-nos uma visão isenta de preconceitos de tudo a ele relacionado- desde a concepção que dele têm as próprias mulheres e os homens, até a sua exploração pela arte ao longo da história. E isso sem deixar de lado por um só momento o bom humor.” (Anne-Marie Cazalis, Elle)

“Falar de forma franca sobre o sexo feminino e seus mecanismos. Isso bastou para que “O sexo da mulher” se transformasse em um daqueles livros que arrastam polêmicas atrás de si. O ano era 1967, e suas abundantes referências médicas e antifreudianas fizeram sucesso. Vinte anos depois, uma terceira edição revisada chegou às livrarias francesas, com o mesmo espírito crítico e simplicidade. É esta edição que aparece agora em português.

Seja por sua relativa “invisibilidade”, se comparado ao do homem, seja pelo falocentrismo característico da civilização ocidental, o fato sem dúvida digno de espanto é que o sexo da mulher jamais havia sido o foco de interesse único de um ensaio sério e erudito como este que o Dr. Gérard Zwang publicou originalmente em 1967.

Reeditado na França, revisto e atualizado, pelo prestigioso editor Jean-Jacques Pauvert, especialista em publicações relacionadas a um assunto que até bem pouco tempo costumava ocupar as estantes mais recônditas das livrarias, o erotismo. Ele promete, tal como ocorreu em seu país de origem, suscitar polêmicas no Brasil e desbancar alguns mitos arraigados sobre a sexualidade feminina. Na França, ao contrário do que se poderia supor inicialmente, ele provocou a adesão das feministas e a irritação dos colegas de profissão do autor, os ginecologistas, talvez pela maneira franca e honesta de abordar o tema, a começar pela declaração de amor sem meias palavras ao seu objeto de estudo. Como escreve Pauvert na apresentação desta edição de “O sexo da mulher”, “a obra é simplesmente a primeira a falar com naturalidade do sexo feminino e de suas funções. E, sobretudo – o que é difícil de acreditar -, a primeira (em 1967!) a fazer sua descrição anatômica exata”. Tal descrição, que além de exata é minuciosa, ocupa a parte inicial do livro, intitulada “A coisa em si”. Nela o autor começa por explorar o relevo e a vegetação, por assim dizer, que circunscrevem essa caverna fascinante e cheia de mistérios que a seguir os levará a visitar como um guia detalhista e bem-humorado. Sim, pois apesar da seriedade da abordagem e dos propósitos, o Dr. Zwang nunca perde o senso de humor, como quando critica Freud e seus seguidores no fim da “Advertência”: “É preciso, enfim, renunciar a considerar a mulher como um homem que não deu certo – por seu defeito maior de ser desprovida de um falo, o único órgão sexual valorizado pela psicanálise! O sexo da mulher existe e os homens o encontraram. Obrigado, Senhora Natureza …”.

Na segunda parte, “Mitologia ou a idéia que temos da coisa”, o autor examina o sexo da mulher tanto do próprio ponto de vista desta quanto do masculino e, em seguida, explora o vocabulário e as metáforas usados para designá-lo. Por fim, na terceira, “Estética ou a maneira de ver a coisa”, faz um apanhado do sexo da mulher na arte desde a Grécia antiga até hoje, para depois discutir certos aspectos morais a ele relacionados. Encerra o volume um glossário que reúne as diversas denominações de seus vários componentes, acompanhadas de citações literárias. Aliás, as citações literárias percorrem toda a obra, dos deliciosos epigramas de Marcial a um verso de Manuel Bandeira, passando por uma das Bachianas Brasileiras de Villa-Lobos, o que não só demonstra a erudição do autor como proporciona um encanto a mais à leitura deste livro apaixonado e inovador.” (J. M. Bertolote, Tradutor)

Com certeza uma ótima dica de leitura!

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