
A HISTÓRIA DE "A."
Nossa história começa assim...
No começo do ano de 2007, eu, uma mulher de 28 anos, independente, morando em uma cidade do interior de Minas Gerais, há dois anos separada de um casamento e com uma filha de 3 anos, resolvi fuçar em um desses sites para fazer amigos (Orkut). Procurava uma amiga que morava em São Paulo. Chamou-me a atenção a página de uma outra mulher porque havia uma foto de duas mulheres carecas, a qual já havia visto no Uva na Vulva. Então, deixei um recadinho a ela dizendo que havia gostado do seu perfil, que se possível me adicionasse. Tudo começou como uma brincadeira. Ela me adicionou, trocamos msn e começamos a conversar. Ela logo me perguntou se eu era lésbica ou bi. Eu, claro, respondi que nenhum dos dois, que era hétero. Ela me disse que era lésbica e eu, que não havia preconceito algum quanto a isso. A partir dai, surgia uma "amizade" virtual.
Falávamos durante horas, sobre tudo. Ela se tornou minha amiga mais intima, sempre com uma brincadeira ou outra com segundas intenções, tanto da parte dela quanto da minha. Ela muito sedutora, eu completamente tímida, mas muito curiosa.
Ela me seduzia muito, eu cada vez mais curiosa, e, como ela mesma diz, "a curiosidade anda de mãos dadas com a vontade". Virei leitora assídua do UNV para ver se aprendia e me informava mais sobre tudo aquilo que para mim era desconhecido. Quanto mais lia, mais vontade sentia. Me imaginava sendo tocada por ela. Beijar sua boca era meu maior desejo.
Até que um dia ela pediu meu telefone. A primeira vez que ouvi sua voz foi inexplicável. Senti um arrepio correr por todo meu corpo, minhas pernas tremiam. Começava aí um relacionamento virtual. Ouvirmos a voz uma da outra passou a ser necessidade e nos falávamos todos os dias, durante horas, durante toda a madrugada. Pensava nela o dia todo, aquela mulher não me saia da cabeça, me fazia pensar em como aquilo tudo estava acontecendo. E, sem percebermos, já estávamos completamente envolvidas. Até que um dia ela disse, entre uma conversa e outra, aquilo que para mim não restava duvidas: "estou apaixonada por você". Putz... era a melhor coisa que poderia ouvir e ao mesmo tempo era assustador. Um sentimento que até há pouco desconhecia. Eu, aparentemente hétero, perdidamente apaixonada por outra mulher e, ainda mais, virtualmente.
Então chegou num ponto em que não agüentávamos mais e resolvemos nos conhecer. Eu iria até São Paulo para me encontrar com minha namorada virtual.
Pensar em conhece-la me fazia, ao mesmo tempo, tanto achar aquela idéia maravilhosa, quanto me fazia tremer as pernas.
Chegou o grande dia. Acho que nunca uma viagem demorou tanto. Mil coisas passavam por minha cabeça, não sabia como iria reagir. Então, às 16:30, eu desembarcava na rodoviária de São Paulo, totalmente perdida e louca para tê-la em meus braços, assim como dizíamos em nossas longas conversas.
Não me esqueço do seu sorriso ao me ver. Minhas mãos suavam. Foi inevitável, nos beijamos, sem mesmo dizer "oi", no meio da rodoviária. Não sabíamos o que falar. Estávamos tão encantadas por aquela situação que não precisamos de palavras. Fomos direto para o hotel. "Meu Deus", agora minha cabeça ficava mais confusa do que antes, afinal me sentia praticamente virgem. Conversamos muito, nos beijamos mais ainda, beijos que se encaixavam muito bem. Tomamos banho separadas, o banho mais longo da minha vida. Eu não parava de pensar como seria, como me sairia... e se eu travasse?... e se não soubesse como tocá-la? Naquele momento me sentia uma adolescente.
Mas tudo aconteceu naturalmente, assim como deve ser, em meio a muita paixão, misturada a muito tesão. Nos amamos ali naquele quarto de hotel, a meia luz, ao som de Joss Stone e Portishead. Não era necessário que se falasse nada, nossos corpos se entenderam muito bem, assustadoramente bem. A descoberta do toque, do cheiro, do gosto, dos sons, FANTÁSTICO!! Não há palavras para descrever o que sentimos naquele instante. Fizemos amor durante horas e depois fomos jantar. Nos comíamos com os olhos em meio a algumas taças de vinho. Quase não suportamos chegar novamente ao hotel. Mal podíamos esperar a hora de nos amarmos novamente. E foi assim durante 4 dias, em meio a jantares, baladas e meia luz.
Depois desse dia nossa relação vem se tornando cada dia mais sólida. A cada dia sabemos mais que nos queremos e nosso amor cresce mais.
Ela já veio à minha cidade algumas vezes, conheceu minha filha que hoje é apaixonada por ela. Ainda moramos em cidades distantes, mas estamos nos preparando para morarmos juntas em breve.
Nosso amor parece sair de um conto de fadas. Nos completamos. E somos cúmplices de tal maneira, que as vezes nos assustamos, como se nos conhecêssemos há anos. Parece ser cedo para alguns e acontecer rápido demais para outros, mas, para nós, que vivemos tudo isso, dizemos que já demoramos muito para nos encontrar.
Se existem almas gêmeas, então somos a prova viva disso.
Estou aí, enfrentado o que tiver pela frente, pois, chamem do que quiserem o que, pra mim, significa meu amor por outra mulher. Por que amor é assim, não tem sexo, não tem barreiras, não tem pudor, não tem nada, apenas ela e eu!
Quando fui escrever essa história, ela me pediu apenas para que terminasse com reticências, por que assim jamais terá fim...
Quem sabe, daqui a um tempo, não estará ela aqui, contando sobre como está sendo a vida casada comigo e tendo ganho uma filha de 4 anos. E, diga-se de passagem, ela se mostra uma excelente mãe. Assim como ela me disse, estou eu aqui a dizer-lhe, que se pudesse, seria a mãe de seus filhos!!!
Minha flor de Lótus, está aqui registrada nossa história à todas as leitoras do UNV, que, assim como nós, tem histórias fantásticas a serem contadas!
© A.
OBSERVAÇÃO: Todos os textos
publicados na seção "In Vitis Veritas" são obras de total
responsabilidade de seus autores que solicitaram e autorizaram sua
publicação, de acordo com as regras estabelecidas pelo site Uva Na Vulva
e aceitas pelos participantes.
Para outras formas de interatividade com o
UNV, leia nossa seção "Faça Parte Desse Cacho".
HOME | E-MAIL | INFO