VERA (Parte II )


Vera massageou-me as costas com muita habilidade. Ela sabia bem onde pressionar, onde encontrar os pontos dolorosos, como fazer movimentos circulares, pressões, e até mesmo usou o cotovelo em certas zonas, as mais dolorosas, o que me fez dar bons gemidinhos. Ela gracejava para me acalmar, dizendo que aquelas dores se localizavam sob os tais pontos nodais, nos meridianos, e estavam congestionados de energia, de muita tensão acumulada. De fato, aos poucos eu fui me sentindo mais relaxada e os efeitos de bem-estar físico, somados aos goles do bom vinho tinto que tomávamos, contribuíram para me deixar ainda mais à vontade, mais receptiva. Vera falava menos, concentrada que estava na massagem, e praticamente sussurrou quando pediu para eu virar o meu corpo. Àquela altura eu já estava me sentindo algo esquisita em estar ainda de calça comprida pois, se bem que a minha amiga não tivesse pedido que eu me despisse totalmente, eu me sentia como que se estivesse, inconscientemente, impedindo o meu corpo de se relaxar por completo, de deixar suas energias fluírem mais livremente, sem entraves. Por isso, eu me voltei e lhe perguntei se teria problemas se eu tirasse a minha calça. « Não, de forma alguma. Só que agora você deve se deitar de costas, Joyce, que eu vou massagear outros pontos, tá? » respondeu Vera,levantando-se para ir passar mais um pouco de óleo nas mãos.

Despi-me a calça e me deitei de costas, apenas de calcinha. Notei que Vera, discretamente, me olhou. Quando voltou, ainda de pé, comentou que eu tinha belos seios. Fiquei corada com o elogio. Não que os elogios aos meus seios me deixassem corada, mas é que foi a primeira vez que ouvi um assim vindo da parte de uma mulher. Respondi que fazia um pouco de ginástica,que praticava um pouco de esqui, mas no fundo mesmo eu só tentava me aliviar do embaraço em que ela me deixara. Um embaraço meio gozado pois, ao mesmo tempo em que me fez corar, ele também me possibilitou de entrar em um clima mais íntimo com ela. Clima até então desconhecido para mim. Apesar da novidade da situação – eu ali, seminua na cama de um hotel, em uma cidade de alguma forma estrangeira, com uma mulher que eu conhecera há pouco tempo e que me massageava o corpo e me elogiava os seios – eu me sentia, no entanto, bem em estar ali com ela. Nós duas, dividindo a mesma cama de um hotel, em um fim de tarde friorento e cuja penumbra contribuía mais ainda para criar aquele clima de doce intimidade que se fazia em torno de nós. As mãos de Vera começaram a besuntar-me o ventre de óleo, em movimentos leves e circulares. "Você vai massagear a minha barriga...?" perguntei. "Vou sim, é aqui, no plexo solar que se concentra toda a tensão. É daqui que ela se espalha para os ombros, para a nuca...." Fechei os olhos  e exalei um « Ah..." Tentava me concentrar no movimentos de suas mãos em torno do meu umbigo e que parecia uma espécie de dança. Daquela região, as mãos dela escorregaram rápido para os meus ombros, evitando, porém, os meus seios. Vera continuou a me massagear os músculos do pescoço, da nuca., amassando-os como se fossem massa de pão. Vez por outra, eu abria os olhos e os deixava, por um tempo, semicerrados.

Notando que ela continuava de blusa e que, com os movimentos que fazia, poderia sujá-la de óleo (o que seria uma pena, pois a mesma era de seda pura e de muito bom-gosto) lembrei-lhe disso e, naturalmente, sugeri que a tirasse. "É verdade, nem tinha me dado conta que ainda estava de camisa, pode?", respondeu-me com o seu jeito gozado. " Aproveito e tiro a saia também para não sujá-la." Logo que ela afastou o seu corpo do meu, falei-lhe então, distraidamente:  "Pode tirar até o sutiã, se quiser..." E aí emudeci, completamente atônita pelo que eu acabara de dizer. O que quisera eu dizer com aquilo ? mas que idéia ! naquele momento eu me desconhecia. Fiquei a pensar comigo mesma : « Curioso momento este que estou passando aqui neste hotel, cheinho de pequenas surpresas... » E continuaram as perguntas a rodar na minha cabeça : »Por que você pediu para ela tirar o sutiã? quer ver os seios dela, é isso ? «  e continuaram me martelando as idéias, martelando, martelando. « No fundo é que você quer ver os seios de Vera, fale a verdade » Justamente eu, que fora casada, tinha filho e que só me interessara por homens desde a minha adolescência. E que continuava ainda muito sensível aos elogios masculinos, que mantivera uma reputação de profissional eficiente, organizada e, sobretudo, uma mulher muito decidida. Realmente, eu me desconhecia naquele momento. Totalmente.

Vera desceu da cama, despiu a blusa, depois a saia, mas não tirou o sutiã. Depois, passou um pouco mais de óleo nas mãos e retornou à cama. Desta vez, porém, não se postou de lado. Preferiu ficar ajoelhada diante de mim, com os joelhos enfiados no colchão, à altura das minhas coxas. Só então é que ela tirou o sutiã e o lançou em uma cadeira ali perto. Vi que tinha belos seios, mais volumosos que os meus, porém ainda rígidos. E que me pareceram muito sensuais. "Você também tem belos seios..." minha voz saíra quase num sussurro. "Você acha? Obrigada ! só que devo te dizer que não faço nadinha de ginástica, você acredita? aliás, devo até começar a pensar nisso. 41 aninhos já e grandes como eles são..." respondeu-me entre pilhéria e seriedade, revelando-me a sua idade. "Ah, você tem 41 anos ? eu tenho 38..." Não sei porque o meu olhar teimava em colar-se aos seios dela, às grandes aréolas rosa-marrom que pareciam exalar uma sensualidade muito forte. Meu olhar anda e volta se colava também aos mamilos dela, salientes e grandes e que, naquele momento, deram-me a impressão que começavam a se endurecer. Pensei: « Será que Vera está ficando excitada ? » As mãos dela recomeçaram a massagear-me o ventre, e um grande silêncio pairou entre nós duas. Foi então que o seu olhar cruzou com o meu e os dois ficaram, como que magnetizados, um no outro. Uma misteriosa e possante energia começara a fluir entre nós, criando cumplicidades silenciosas, cheias de intenções dissimuladas, no entanto, mais eloqüentes do que todas as palavras que até então disséramos uma à outra. Só fui dar-me conta que Vera massageava-me os seios quando um longo arrepio percorreu-me as costas, o ventre, como um raio se alastra pelo espaço. "Você gosta?" murmurou, me olhando bem nos olhos. Fechei os olhos por um instante e respondi "Sim....muito...." Senti meus mamilos se endurecerem.

Vera curvou mais o corpo e eu senti os seus mamilos roçarem o meu rosto. Nossos olhares se cruzaram outra vez. Como que respondendo a uma pergunta muda, telepática, ela sussurrou, em voz trêmula: "Eu adoraria..." e encostou um mamilo em meus lábios. Quase que instintivamente, minha língua o tocou e eu senti um calafrio me percorrendo por inteira. Comecei a lambê-lo, a princípio, timidamente. Depois apertei meus lábios em torno dele. Em seguida, ela o apertou mais o seio contra o meu rosto e o pus aquele mamilo duro, inteiro, em minha boca e passei a sugá-lo. E com um tal prazer, que a ouvi, gemer baixinho. Vera deixava-me excitadíssima com os dedos untados dela apertando os meus mamilos, massageando-os vigorosamente com uma tal habilidade, que eu já sentia meu sexo completamente úmido. Os licores dele brotavam com abundância. Meus cheiros, somados aos dela, começavam a gerar uma atmosfera fortemente erótica entre nós duas, nossos gemidos periódicos começavam a se confundir uns com os outros. Ela percebeu a minha enorme excitação e, de um gesto delicado porém decidido, arrancou-me a última peça, deixando-me totalmente nua. Então ela levou a minha calcinha até o rosto e cheirou-a, demoradamente, os olhos fechados enquanto que, com uma mão, continuava bolinando os meus seios. Vê-la fazer isso deixou-me ainda mais excitada. "Você cheira tão bom, Joyce… cheiro de fêmea…fêmea de verdade… de mulher que me agrada… tou ficando excitada demais..." Aí ela desceu da cama e ajudou-me a por o meu corpo em diagonal. Meu tronco continuou na cama mas com as pernas de fora, meus pés apoiados no tapete. Ela penetrou por entre as minhas pernas e tocou o meu sexo com os dedos untados de óleo de amêndoas. Meu sexo já se contraía incessantemente de tanta tesão, e reagiu imediatamente aos dedos dela. Eu senti que já começara a se encharcar. Na época, eu depilava apenas a virilha, guardando o triângulo mais ou menos peludo, levemente aparado. Vera passou suavemente os dedos em meus pelos, antes de aproximar o nariz deles. Em seguida, me fez um elogio muito libidinoso e, com uma expressão tal que, em outra ocasião, eu a teria considerado de muito mau-gôsto. Mas, naquele momento, o que ela me disse só contribuiu para me deixar ainda mais excitada, mais sedenta de vontade que ela me bolinasse, me cheirasse, me lambesse. Senti os dedos dela abrirem os meus pequenos lábios. Depois agarraram com força um tufo de meus pêlos, à altura do monte-de-Vênus, puxando-os em direção ao meu umbigo. Isso fez com que o meu sexo se esticasse, deixando o meu clitóris saliente, sem defesa. "Você está me deixando louca, Joyce, completamente louca..." e eu respondi-lhe : "Você também..." Foi um delírio quando Vera pousou os lábios dela no meu botãozinho e começou a apertá-lo, alternando a ponta da língua e as pressões dos lábios em torno dele. "Tua xana cheira tão bom....estou ficando louca de tesão por você..." sussurrou. O tempo começara a parar para mim. Tudo em torno de nós parecia ir deixando de existir. O hotel, o congresso, a cidade, a minha vida pessoal, os meus problemas, a minha solidão, tudo parecia remoto, inexistindo-se aos poucos. Só aquela mulher existia, a que me fazia entrar em um transe sexual desvairado, com a boca e os dedos hábeis que ela tinha.

Havia um clima tão erótico no ar, já tão impregnado de nossos cheiros mais íntimos, que uma atmosfera autônoma foi-se gerando em torno de nós, saturada de libidinagem, de desvairio e de estupefação. Foi então que eu comecei a sentir que um primeiro orgasmo começava a me tomar como uma gigantesca onda, uma onda que cresce, cresce e cresce até vir rebentar-se com indescritível fragor no imenso paredão de pedra, diante dela.



© MarisaW  2003

 

 

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