VERA (Parte IV)


E u estava com vontade de ser amada outra vez, várias vezes. Até o fim dos meus dias. Vera começou a esfregar os dedos no meu sexo. Abria os lábios dele, afastando-os, depois os apertava, levava os dedos ao nariz, à boca e provava o meu gosto. Lembrei que ela era nordestina e me veio a curiosidade de lhe perguntar como o sexo feminino era chamado na terra dela. Ela fez uma cara meio sonsa e respondeu. "Bem, depende, tem nomes demais até... aliás, tem também quem chame dos mesmos nomes que você conhece. Só os nomes bem regionais é que são, digamos, pouco conhecidos. » Continuei, curiosa. "E quais são os nomes regionais?" Ela continuava mexendo na minha xoxota, que começava a se ensopar. "Ih, tem tantos… » E me recitou uma série deles, à medida que ia lembrando. Eu só conhecia um ou outro, a maioria deles me parecia muito exótica, alguns até gozados. Vera pousou seus olhos nos meus e disse : « Eu, por exemplo, gosto do nome tabaca." Fiz uma cara de desentendida : "Tabaca?... nunca ouvi falar. Tem algo a ver com tabaco?" Ela só sorriu e continuou a mexer em mim: "Não faço a menor idéia. Aliás, em Recife chamam de tabaco também, só que eu prefiro tabaca. Acho mais feminino, mais sonoro... nunca ouviu falar mesmo?" Respondi: "Não, nunca. Tabaco que eu conheço quer dizer outra coisa. Aliás, a gente acabou de fumar, não ?" Vera se ergueu um pouco e se ajoelhou ao lado da cama, sem deixar porém de me tocar. "Só de você ter falado a palavra, eu já estou ficando molhada, sabia ? » E fechou os olhos. « Sei lá porque, mas essa palavra me excita demais. Não sei dizer a causa disso não. Acho que deve vir da minha adolescência, da minha infância. De ter ouvido alguma mulher dizendo. Ou a minha avó que dizia essas coisas. Ou uma tia, não sei explicar. É estranho, não é ? » Eu apenas mumurei entre os dentes : « É sim…Freud explica. » Ela riu. « Você acredita que eu chego mesmo a me masturbar pensando nessa palavra ? ela não te diz nada mesmo ? » Eu estava ficando cada vez mais excitada  com os dedos dela em mim e minha resposta saiu vagarosa « Não…acho que não... quer dizer… não sei…..nunca pensei…talvez… » Jussara apertava os meus pequenos lábios um contra o outro, e me tocava com o dedo médio no interior da vagina, friccionando o meu ponto G, o que me ia me deixando cada vez mais ofegante. « Pois ela me excita sim… muito… demais. Foi o primeiro nome brasileiro para o sexo da mulher, vem ainda da época do Império….você sabia ?.» Eu não entendia bem a sua fixação naquele nome mas, àquela altura, nem eu mesma me entendia bem. De tão deliciada que eu estava em estar sendo tão bem masturbada por ela, só fiz gemer, sem responder. Vera começou a lamber os lábios do meu sexo, a espalhar sua saliva neles, nos meus pelos: « Adoro o cheiro da tua tabaquinha, meu anjo.…" Percebi que enquanto fazia o mesmo comigo, ela começara a se masturbar.

Não sei se foi o som daquelas palavras, ou as associações que a mente faz em momentos assim, ligando sons, cheiros, imagens, relações até inconscientes que fazemos com nomes ou coisas consideradas como tabu dentro de nós ; ou se foi o clima altamente erótico que cada vez mais ia nos tomando ; ou se era os nossos cheiros que saturavam o ar e que já estavam me deixando à beira de mais um orgasmo, o fato é que o meu sexo, transbordando de meus sumos e latejando de uma tesão incontrolável, eu fui ficando com uma louca vontade de trepar com aquela mulher, com aquela fêmea diferente que estava fazendo minha cabeça e meu corpo darem milhões de voltas em torno da Terra, do Sol e de todas estrelas do Universo. Vera cabrou o corpo dela e meteu-o entre as minhas pernas, enfiando vários dedos no meu sexo e continuou a masturbar-me desvairadamente. Sua voz estava trêmula de tanta tesão : "Deixar eu roçar minha tabaquinha na tua, meu anjo…Joycinha, meu amorzinho….deixa ?…" O meu "sim" saiu quase como uma súplica. Então, ela pousou o seu monte-de-Vênus contra o meu e pressionou a pélvis, suspirando forte. Senti o seu clitóris, duro e saliente, roçando nos lábios do meu sexo, de baixo para cima, e depois a se esfregar contra os meus pelos. Vera movimentava as ancas como se fosse um homem que estivesse a me penetrar. Aquilo me deu sensações indescritíveis, fez girar a minha libido a mil e eu comecei a remexer meus quadrís no mesmo ritmo que ela, excitadíssima. Suas mãos apertavam meus seios, o seu corpo ganhava movimentos cada vez mais lascivos, mais indecentes, o que me deixava cada vez mais alucinada. Vera tomou minha cabeça em suas mãos e me deu um longo beijo na boca e, sem parar de roçar-se em mim, sussurrou depois na minha orelha: "Diz que eu sou o teu amorzinho…diz..." Eu respondi baixinho: "Meu amorzinho, você é o meu amorzinho..." Ela continuou: "Diga mais, meu amorzinho tesudo..." e continuou esfregando ferozmente o sexo dela no meu « Diga que quer minha tabaca na tua tabaquinha…meu amor… ». Sussurrei: "Quero sim… » E ela suplicava : « Diga mais, amorzinho…quero ouvir você dizer… » Minha voz saiu ofegante, quase sumida : «  Quero… esfrega tua tabaca na minha tabaca, meu tesão..." Seus movimentos se aceleraram mais ainda e, apesar dos meus pelos, senti bem o contato do seu Monte de Vênus depilado roçando-se vigorosamente no meu. Vera ofegava e me beijava alucinadamente, o rosto, a boca, o pescoço, mordia e lambia a minha orelha. Aí foram as minhas mãos que tomaram a sua cabeça, e a olhei fundo nos olhos, o meu sexo começando a explodir em outro orgasmo, meus sumos escorrendo abundantemente por entre as minha coxas, minhas nádegas. Comecei a dizer, como numa catarse: « Me fode, Verinha, me fode mais…eu te adoro… » A voz dela estava ainda mais rouca, mais animal: "Diga mais, amor, você me deixa louca…" Alucinada de tesão, comecei a dizer-lhe tudo que me vinha à mente, a palavra que a fazia entrar em transe, todos os palavrões que eu conhecia, frases saídas pela metade, retorcidas, esticadas, esfiapadas pela pororoca de sensações que se avolumava dentro de mim. Isso teve nela o efeito de uma faísca elétrica. Como que galvanizada, Vera puxou-me para o centro da cama, virou-se sobre mim e pôs os seus quadris à altura do meu rosto, o seu rosto na altura da minha virilha. " Meu tesão, me fode, me fode que eu vou te foder bem gostoso....." Então ela afundou o rosto nos meus pelos, espalmou a língua contra eles, foi descendo até meu sexo e começou a me chupar, furiosamente, como se quisesse me fazer entrar interinha em sua boca.

Eu que já estava praticamente tomada por um violento orgasmo, me vi pela primeira vez na vida sob um sexo feminino, quase totalmente depilado, lambuzado dos sumos dela, abrindo-se como uma imensa flor rosada para mim, para a minha boca.. A visão daquele sexo úmido, abrindo-se diante do meu rosto, me deixou-me tão excitada quanto a visão de um sexo masculino em ereção diante de mim. Mesmo sem conhecer muita coisa de outros sexos femininos, inclusive do meu, julguei, no entanto, que o de Vera era realmente grande, impressionou-me. Os pequenos lábios dele eram grossos, largos, pareciam uma folha aberta e exalavam um aroma tão particular que, alucinadamente, comecei a esfregar a minha língua neles. A suposta repulsa que eu temia sentir quando começasse a sentir o gosto da sua xoxota em minha boca, curiosamente não aconteceu. O que me incitou a excitá-la ainda mais com a língua, com os lábios, e então esfreguei o meu rosto naquela imensa flor sumarenta, cheirosa, ensopadíssima, e que cheirava a tudo e a nada do que eu já sentira antes. Os sucos de Vera eram abundantes e escorriam pela minha língua, pelo meu rosto, pelo meu queixo, meu pescoço. Deliciei-me neles. Os meus dedos também começaram a explorar aquela vagina semi-depilada, desencadeados que estavam, aquela imensa flor rosada que se abria impunemente diante de mim, sequiosa dos meus carinhos, enquanto que a sua pélvis enlouquecia-se com as minhas carícias, e corcoveava como se eu a estivesse penetrando. A gente se deu prazer oral uma à outra, por um longo momento, não posso precisar quanto tempo pois o tempo já não existia mais para mim. Congelara-se em alguma parte da vida, e eu saíra dele para um outro universo.

Havia tanta tesão entre nós duas e um cheiro tão forte de sexo no ar que, quando vieram os primeiros espasmos do orgasmo dela, as intensas tesões que nos incendiava, explodiram quase que simultâneamente, e eu apertei meu rosto contra o seu sexo, intensificando ainda mais os movimentos da minha língua e dos meus lábios. Ouvi Vera gemer e tremer inteirinha, aumentando o ritmo das estocadas que me dava com a sua virilha. Eu também gemia e corcoveava como uma possessa, perdida em tantos orgasmos. Por um instante, temi uma possível indiscreção nossa ali no hotel, alguém que passasse perto da nossa porta, ou que nos chamasse da portaria. Ou que algum colega nos ouvisse e fizesse um comentário maldoso qualquer. Felizmente, aquele hotel era bem insonorizado. Os meus orgasmos vieram como maremotos, começaram na minha vagina e, num instante, tomaram-me o corpo inteiro como uma onda de calor, um frisson indescritível. Eu estava até dolorida e me sentia desvanecer. Totalmente imponderável, parecia que eu rodopiava no espaço, como uma pluma num vendaval. Pensei mesmo que fosse desmaiar de tanta luxúria. Uma série de orgasmos assim jamais me acontecera antes; nem mesmo nos melhores dias do meu casamento, ou com algum namorado que eu tive. Eu estava como que enfeitiçada, possuída pelo erotismo poderoso de Vera, transida de tesão por aquela mulher, algo que jamais me passaria pela cabeça há algumas horas atrás.

No fim do último orgasmo, ela ficou um bom tempo sobre mim, tremendo e ofegante, a virilha ligeiramente apoiada sobre o meu tórax, lambuzando-me de sua seiva que escorria, ainda, abundante. Ficamos assim por um bom momento, arfando uma sobre a outra, nossos corações como que querendo explodir em nossos peitos. Tive a sensação de que me esvaziava de mim mesma, naquela hora, tanto em corpo como em alma. Embora um lado meu se esforçasse em me trazer de volta à realidade racional, o outro lado, no entanto, relutava em deixar aquele estado indescritível de felicidade física e de vazio mental. Era como se todas as minhas células começassem a desmaiar de prazer, uma após outra, e eu ia me sentindo cada vez mais vazia de mim mesma, preenchida aos poucos pela presença de Vera dentro de mim, que me tomava inteirinha, como uma aurora, e saturava-me da luz dela a penumbra das minhas entranhas, os meus pensamentos, entorpecendo todos os meus sentidos, completamente. Prazerosamente.



© MarisaW  2003

 

 

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